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Quarta-feira, Julho 30, 2003
Quem é quem
Peço ajuda ao pessoal que cobre TV aqui no jornal para me esclarecer uma dúvida: "Camila Morgado e Simone Spoladore são a mesma pessoa?" Me olham com cara de ET. Mas confesso que não sei direito quem é quem, como acontecia com o Xexéo em relação a Nívea Stelman e a Samara Felippo. A turma da TV, em tom de censura, me diz que as duas são completamente diferentes e que eu estou por fora. Tudo bem. Poucos dias depois, encontro uma amiga que trabalhou um tempo com a Simone Spoladore. Ela me conta que chegou outro dia para a atriz e falou: "Oi Camila, como você vai, tudo bem?" Agora me diz: se nem quem trabalhou com elas sabe a diferença imagine eu?
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Terça-feira, Julho 29, 2003
No escurinho com Lula, a verdadeira parte final. Pelo menos por enquanto
Lula, ao centro, com os dois jornalistas no Palácio Alvorada. O da esquerda é o repórter da Folha de São Paulo, Ivan Finotti. Veja aqui.
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Sexta-feira, Julho 25, 2003
No escurinho com Lula, parte final
O jantar organizado pela primeira-dama é com lugares marcados, exatamente como tinha acontecido pouco antes, na sala de cinema. Um desenho reproduz a mesa e indica a posição de cada convidado. Me puseram ao lado do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Pensei: "O que diabos vou falar com o sujeito?" Mas ele foi simpático, puxou conversa e perguntou se era difícil escrever com o bloco na perna - o cerimonial tinha me dito para não deixar caderno e caneta à vista, e assim manter o tom informal do encontro. O menu era caprichado: bobó de camarão, saltimboca de filé alla romana, gratinado de batata e alho poró, arroz branco, farofinha de dendê e salada primavera. De sobremesa, torta musse de chocolate e maracujá. Dona Marisa conclama a todos para repetir. Nem é preciso dizer duas vezes. Depois do jantar, todos se reúnem na varanda do Palácio Alvorada para um bate-papo regado a café, licor e charutos cubanos ("Romeu y Julieta" e "Cohiba"), presente de Fidel Castro. Todo mundo quer tirar foto ao lado do presidente. O ator Wagner Moura diz que Lula é a pessoa que ele mais admira no mundo. Claudia Abreu conta que quer esperar um momento em que ele esteja sozinho para se declarar. A tietagem corre solta. Lula brinca o tempo todo. Ele comenta a recepção na casa dos reis da Espanha, quando não quis ir de casaca e foi criticado:
- O rei tinha dito: "Nós conhecemos a origem do Lula. Ele vem do jeito que ele quiser." Eu não ia usar casaca de jeito nenhum. Ia parecer um pinguim barrigudo.
Todos concordam. E assim terminava, pouco antes da meia-noite, a sessão de cinema do Cine Alvorada.
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No escurinho com Lula, parte 2
A sala de cinema da casa do presidente não é nenhum Cinemark, mas está longe de ser um pulgueiro. É espaçosa, você pode esticar as pernas - Lula, dona Marisa e Claudia Abreu foram os únicos a ganhar um puff para pôr os pés - e a projeção dá para o gasto. O som era muito ruim, mas foi consertado antes da sessão. Fumo e bebida são liberados, mas ninguém se animou a acender um cigarro. O filme em exibição era "O caminho das nuvens", de Vicente Amorim, que estréia dia 12 de setembro. É um belo filme, baseado na história real de um paraibano que pedalou 3.200 quilômetros de bicicleta com a família até o Rio. Ele estava atrás de uma vida melhor, traduzida num emprego de "mil real". Menos que isso não aceitava. Os lugares na cabine são marcados. Você chega e encontra seu nome num papel jogado na poltrona. Lula, claro, senta-se sempre ladeado por dona Marisa e uma atriz - naquele dia, Claudia Abreu. Encerrado o filme, é hora do jantar.
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Quarta-feira, Julho 23, 2003
No escurinho com Lula
Toca o telefone. É o ator Antonio Grassi, presidente da Funarte. Ele organiza as sessões privês de cinema que Lula promove em sua residência oficial. Elas são vetadas à imprensa. Afinal, trata-se da casa do presidente da República. Mas, agora, o Palácio do Planalto decidiu pela primeira vez convidar dois jornalistas, um do Rio e um de São Paulo, para ver um filme e jantar com o presidente e a primeira-dama. Ele diz que fui um dos escolhidos e pergunta se quero ir. A vontade é gritar: "Claro!!!", mas, primeiro, preciso perguntar a meu chefe se interessa, analisar os custos etc. Então, digo da maneira mais fleumática possível: "Vou consultar a chefia e dou um retorno." Pergunto pelo traje. "Não é preciso usar terno. É um encontro informal", diz Grassi. Não podia ser melhor, tomara que o Globo tope. Consulto meu chefe. Ele dá o OK (fogos de artífício) e embarco para Brasília. Grassi tinha avisado que meu nome estaria na porta. À medida que o táxi se aproxima do Palácio Alvorada, as placas avisam: "Área de segurança." Uma série de barreiras protegem a entrada principal. Um segurança pergunta meu nome e checa numa prancheta. "Isso não vai dar certo", pensei. Deu. Mais à frente, outro segurança autoriza a entrada na casa e diz que é só seguir o tapete vermelho. O Palácio é a cara de Brasília, com seus imensos espaços vazios. Só a varanda deve dar para abrigar algumas famílias. Sentado na poltrona, quase tenho que me levantar para pôr o uísque na mesa de centro. Eis que chega dona Marisa. A primeira-dama é a simpatia em pessoa. Dá dois beijinhos, brinca - "É para fazer a crítica do filme e não da gente, não é?" - e deixa os convidados à vontade. O grupo é variado e inclui a atriz Claudia Abreu, o ator Wagner Moura, os ministros Antonio Palocci, Roberto Rodrigues, Roberto Amaral e Celso Amorim, e o diretor Bruno Barreto e a mulher, a atriz americana Amy Irving (ex do Spielberg), que pediu para conhecer o presidente. Lula chega um pouco atrasado, pede desculpas e brinca: "Alguém tem que trabalhar nesse governo." As brincadeiras correm soltas. Daqui a pouco eu conto mais sobre os bastidores da sessão e do jantar com o presidente.
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Segunda-feira, Julho 21, 2003
Adeus, concentração
Ir ao cinema ou ao teatro pode virar uma dor de cabeça. É o sujeito que senta atrás e cutuca sua cadeira durante o filme. A moça que compra um balde de pipoca e passa a sessão inteira mastigando. O barulho do papel de bala que distrai e incomoda. O espectador que atende o celular como se sozinho estivesse. Ou o grandalhão que escolhe justamente a cadeira da frente para sentar. No domingo, fui ver "Tio Vânia". O texto é de uma atualidade impressionante. Palmas também para o elenco e para a encenação de Aderbal Freire-Filho, só um pouco prejudicada pela má acústica do Parque Lage. Minha mulher estava feliz da vida com o bom ângulo de visão do palco. Mas eis que, no apagar das luzes, surgem duas cadeiras extras bem na sua frente. Uma senhora e um senhor. Ela cismava em mexer no cabelo e comentar a peça com o marido. Não parava quieta. A concentração - e a visão - foram por água abaixo. O nome dos dois atrasadinhos? Helena Severo, secretária estadual de Cultura, e Francisco Weffort, ministro da Cultura no governo FH.
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Domingo, Julho 20, 2003
A pobre da avenca
Maria das Graças costumava freqüentar nossa casa na Urca. Muito tímida, ficava pelos cantos e falava baixinho. Uma amiga jornalista, Norma Pereira Rego, vivia dizendo que Gracinha - como ela era mais conhecida - tinha uma voz linda. Meu pai brincava: "Quando a gente conseguir ouvir a voz dela..." Um dia, Gracinha sentou-se numa delicada avenca de minha mãe e matou a pobrezinha. Agora, leio que Gal Costa está escrevendo a autobiografia. Aposto que ela não vai falar da avenca.
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Sexta-feira, Julho 18, 2003
Até quando?
Dia desses, um preso falou para Paul Heritage: "Eu não ria há cinco anos." Há 10 anos, o diretor teatral inglês se dedica a ensinar arte a presidiários e menores infratores no Brasil. Numa entrevista publicada há pouco no Portal Literal, ele conta que vai levar ano que vem o grupo de teatro Nós do Morro, da Favela do Vidigal, para fazer "Sonhos de uma noite de verão" em Stratford-upon-Avon, terra de Shakespeare. Em 2005, será a vez da banda AfroReggae, de Vigário Geral, se apresentar no Barbican Center, em Londres. O inglês tem feito muito pelo Brasil, mas há dois dias seu mundo desmoronou no país que escolheu para morar. Seu companheiro, o ator, produtor, diretor teatral e artista plástico Carlos Alberto Formaglio Oliveira, de 34 anos, vinha de carona num Fiesta quando, na altura de São João de Meriti, o carro foi fechado por um caminhão. O motorista freou e o Escort que vinha atrás bateu na traseira. Nada grave, um pequeno acidente de trânsito, como tantos outros. Não estivesse o motorista do Escort armado. Ele estava com a mulher no banco de carona e uma criança de colo atrás. Mesmo com a família a bordo, perseguiu o Fiesta e, sem qualquer aviso, deu um tiro no rosto de Carlos Alberto. O que poderia ser apenas um bate-boca se transformou num homicídio por causa de um revólver nas mãos de um pai de família que acredita que as armas dão segurança.
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Quinta-feira, Julho 17, 2003
Falha nossa
Meu colega ZéJosé - isso mesmo, vocês não leram errado - me corrige uma informação aqui publicada. Não era Jô Soares o autor do bordão "Ah é, é?" e sim o comediante Milton Carneiro, que morreu em 1999 e trabalhou em quase todos os programas humorísticos da TV, de "Planeta dos homens" a "Viva o gordo". ZéJosé explica que Milton geralmente servia de escada para humoristas mais famosos, como o próprio Jô, mas foi justamente com o personagem Waldir ("Ah é, é?") que conquistou o maior destaque de sua carreira. Fica aqui o registro.
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Quarta-feira, Julho 16, 2003
Procurado pelo CCC
Um amigo recebe um convite do CCC. Não, não se trata da volta do temido Comando de Caça aos Comunistas e sim do agradável Centro Cultural Carioca. Há siglas que mais atrapalham que ajudam. Um e-mail me avisa sobre a mobilização para o aniversário do ECA - o Estatuto da Criança e do Adolescente. O Brasil conta com uma ANA (Agência Nacional de Águas) e a Europa tem sua Carmem - abreviatura em inglês de Manejamento das Taxas de Carboidrato nas Dietas Nacionais Européias. A sigla Must é um must: quer dizer Movimento Urbano dos Sem-Terra. Mas a campeã, já escrevi uma vez, é a Atras, a Associação dos Travestis do Rio Grande do Sul. Plano de Qualificação Profissional podia virar palavrão - PQP - mas acharam mais prudente chamar de Planfor. E PCBs não é o plural de Partido Comunista Brasileiro e sim bifenóis policlorados - uma substância tóxica, para alegria dos conservadores
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Terça-feira, Julho 15, 2003
Amanda quem?
Mas, como eu ia dizendo, tenho andado pelas tabelas. Estou amadurecendo a idéia de um livro. Já esbocei o tema, mas acho que vai demorar mais que obra de igreja. A literatura pode esperar, o problema é o dia-a-dia de jornal, que não dá espaço para a preguiça. Tenho matéria para bater, mas levanto-me para tomar um café, vou no camelô comprar bala (chocolate + chiclete + jujuba), navego pela internet e assusto-me com a quantidade de e-mails por responder. E vejo outros tantos que preciso apagar, de tão antigos ou defasados. Num deles, enviado por mim ao meu chefe, conto como livrei-o de um telefonema. Uma assessora de imprensa ligou para dar em primeira mão a notícia de que Amanda Ribeiro clareou o cabelo para viver a filha de Bruna Lombardi na minissérie "Quinto dos infernos". Ela queria porque queria que o Xexéo desse capa do Segundo Caderno para a menina. Depois que ela terminou a longa explanação, perguntei:
- Mas, afinal, quem é Amanda Ribeiro?
- Como você não sabe? Ela faz parte do "Gente inocente"! - disse a assessora.
Acho que ela não gostou muito quando eu quis saber o que era "Gente inocente".
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"Aula de inglês"
Ando meio desanimado até para escrever no blog. Acho que é cansaço - só de folgas são 16 para tirar. E vou ter que adiar as férias, marcadas para setembro, porque me convidam para dar uma oficina de crônicas na Estação das Letras, no Flamengo. Não tem como recusar. O tema me seduz desde que, décadas atrás, meu pai abriu um livro de Rubem Braga e leu para nós - eu e minha irmã - a crônica "Aula de inglês". Ali, naquele momento, a literatura instalava-se definitivamente na minha vida.
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Segunda-feira, Julho 14, 2003
Abusado
Ainda escrevo um livro ambientado em favela. Caco Barcellos tem feito merecido sucesso com seu recém-lançado "Abusado", que se passa no Morro Santa Marta. O curioso é que o livro vem sendo procurado por todo tipo de leitor. Outro dia entrou uma faxineira na Livraria Travessa e disse que vai economizar todo mês até conseguir juntar os R$ 55 do livro. Mais inusitado é o guarda municipal que vai todo dia à livraria, pega um exemplar na estante, senta-se numa cadeira e lê o texto na sua hora de folga. Quem acha o gesto um pouco abusado tem que entender que a causa é nobre. A propósito, ele já está no finzinho.
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Ah é, é?
Jô Soares tinha um personagem que, toda vez que ouvia um desaforo, fazia cara de abobado, dizia "Ah é, é?" e só lembrava da resposta correta tempos depois, quando já era tarde. Sou exatamente assim. No fim de semana, fui ao festival "Anima Mundi" (que está cada vez melhor). As sessões na Praça Animada são concorridíssimas. O problema é quando você compra ingresso para os filmes das 18h30 e das 20h. Assim, que a primeira sessão termina, você é expulso do local e tem que voltar para o fim da fila, que dá voltas no quarteirão. Claro que pega o pior lugar. Quando perguntei a um funcionário se era assim mesmo que funcionava, uma mulher, com cara de organizadora, veio com paus e pedras nas mãos e disse: "Tem que sair, sim! É que nem cinema normal." Saí dali que nem cão vadio e fui para o último lugar na imensa fila. Só aí me veio a resposta: "Em cinema normal passa o mesmo filme repetidas vezes. Ninguém vai sair de uma sessão e voltar para o fim da fila simplesmente porque já viu o filme." Mas aí já era tarde demais.
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Sexta-feira, Julho 11, 2003
Gabi
Nesses 18 anos de jornalismo, dá para contar nos dedos as vezes em que algum entrevistado ligou para comentar a reportagem. Uma vez um ator conhecido foi parar lá no JB querendo me dar uns tabefes, mas, em geral, poucos aparecem para criticar - muito menos elogiar - as matérias. Marília Gabriela fugiu à regra e mandou um e-mail a propósito do perfil que saiu esta semana no Globo. É meio cabotino publicar a mensagem, mas, ora bolas, a apresentadora foi tão simpática que não resisto à tentação: "Ô Mauro. Que coisa muito boa conhecê-lo e que coisa deliciosa ter sido sua personagem um dia na minha vida. Obrigada pela generosidade e, não esqueça, estou esperando por você no teatro. Vê se não foge, heinn??!! Beijos inúmeros de sua nova amiga Gabi." E olha que eu confundi o Giannecchini com o operário que fazia obras no teatro...
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178
Não é o caso de ser saudosista, mas o número impressiona: entre as décadas de 50 e 70 havia 178 salas de cinema na Zona Norte e na Zona Oeste do Rio. Sabe quantas delas continuam exibindo filmes? Nenhuma. O secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, me conta que a prefeitura está levantando o que aconteceu com as salas. Já dá até para imaginar: se não fecharam, viraram supermercados, farmácias ou, o qué é mais provável, igrejas evangélicas.
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Quarta-feira, Julho 09, 2003
Pizza a peso de ouro
Jantar na Pizzaria Capricciosa, na Lagoa, por conta de uma entrevista. Num mesmo dia você pode esbarrar com Ed Motta, numa mesa, João Moreira Salles, em outra, Luana Piovani, numa terceira, e por aí vai. É a preferida dos artistas. Mas, sinceramente, não acho lá essas coisas. E nunca vi pagar tão caro por uma pizza. Está mais para Capciosa.
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Terça-feira, Julho 08, 2003
Imperfeições
Pausa para o café aqui na redação do jornal. Não sei porque, o assunto era Marisa Tomei. A atriz é um pouquinho dentuça, o que faz com que fique ainda mais bonita. Jaime Biaggio e eu comentamos como pequenas imperfeições tornam as mulheres mais atraentes. Lembro-me de ter visto as fotos da Feiticeira na "Playboy". Até uma boneca de plástico seria mais sensual e despertaria mais desejo do que aquela figura malhada, siliconada e oxigenada. Isabel De Luca faz a ressalva de que três quilos a mais enfraquecem qualquer mulher. Discordamos. Pode até ser que outras mulheres sussurem "como ela está gorda" e comemorem secretamente, mas os homens não estão nem aí. Viva as imperfeições.
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Segunda-feira, Julho 07, 2003
Arraial
Não dou muita bola para festa junina, mas sábado subi a Serra para o arraial de um amigo de infância. A fazenda fica escondida no meio do mato, não tem quem não gaste um bom tempo perdido. No caminho, demos de cara com duas crianças paradas na estrada, tremendo com o frio de seis graus. De caderno e caneta na mão, elas passaram a noite implorando por um autógrafo dos motoristas - afinal, o dono da festa é ator famoso da Globo. Dava dó ver o olhar de súplica no rosto das duas crianças, buscando em cada carro vestígios de alguma celebridade. Quase que meu primo pára o carro e assina "Rodrigo Santoro" - não tivesse ele 55 anos e uma barriguinha considerável.
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Epidemia (in)visível
Me chamam para falar sobre os temas mais inusitados. Acho que pensam que jornalista entende de tudo - quando é justamente o contrário. Quantas vezes numa festa alguém não se vira para mim e fala: "Você que é jornalista me diz: o que que você acha de..." e lá vem a pergunta sobre os bastidores da política municipal, o superávit primário ou a corrupção policial. Mas gostei de ter participado do seminário "Invisibilidade da Aids na imprensa", organizado pela psicóloga Carmen Lent. Agora a palestra vai fazer parte de um livro chamado "Epidemia indetectável" e tenho até hoje para rever o texto. Acho que a platéia - formada basicamente por profissionais que lidam com a Aids - não concordou muito comigo quando eu disse que a doença não era assim tão invisível na mídia. O texto é muito grande para publicar aqui, mas, se alguém estiver interessado, eu aviso quando sair o livro - que vai ter noite de autógrafos e vai ser distribuído gratuitamente.
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Quinta-feira, Julho 03, 2003
Baixinha
Passei o dia em São Paulo e me descuidei do blog. Marília Gabriela vai estrear uma peça no Rio e me mandaram à capital paulista entrevistá-la. Na hora da sessão fotográfica, havia um sujeito de boné dormindo no sofá do hall do teatro. Tivemos que acordá-lo para não atrapalhar as fotos. Ele foi gentil, desculpou-se e ficou por ali mesmo assistindo. O rosto não era estranho. "Já sei", pensei. "É o rapaz que estava fazendo obras no teatro na hora em que cheguei." Mais tarde, ele se referiu a Marília como "baixinha". Achei um pouco de intimidade, mas tudo bem. Depois é que entendi. Não era um peão de obra e sim o marido da apresentadora, Reynaldo Giannechine. Isso é que dá não ver televisão.
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Terça-feira, Julho 01, 2003
Não agradou
Se tem uma coisa que você jamais me verá é numa festa à fantasia. Ou melhor, jamais me veria, porque fui a uma no sábado. Um de meus melhores amigos organizou, mas só comunicou o traje pouco antes. O jeito foi improvisar com os escassos recursos à disposição. Uma espiada no armário e lá estava uma capa de chuva vistosa, que bem poderia passar por sobretudo. Um cigarro apagado no canto da boca, uma boina ocupando o lugar de um chapéu e pronto: surgia Humphrey Bogart em "Casablanca". Pena que ninguém na festa entendeu. Preferi, claro, pôr a culpa na falta de referências cinematográficas das novas gerações. O prêmio originalidade deveria ser dado ao Flávio Araújo, que imprimiu duas fotos dele numa camisa e juntou com uma da Irene Ravache. O filme? A comédia "Me, Myself & Irene".
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Mosteiro tibetano
Uma publicitária da agência de Roberto Justus esteve aqui hoje para uma entrevista. Me fez perguntas sobre como é ser jornalista e qual o futuro do jornalismo, para uma campanha que a Bates Brasil está preparando. Ela veio numa hora calma, em que o jornal parecia um mosteiro tibetano, de tão silencioso. A moça levou um susto. Disse que nunca viu lugar tão barulhento na vida.
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