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Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
Sem notícias
Por incrível que pareça, vou virar o ano sem saber o que havia dentro do meu carro - se é que havia algo. O inspetor da 172o. DP, como vocês devem se lembrar, pediu que eu comparecesse a São Gonçalo para recuperar o carro. Mas meu corretor disse que isso não era mais problema meu. Como o seguro já foi pago, a seguradora vai cuidar do caso. Tudo que for achado no interior do carro, ele me tranqüilizou, será devolvido. Pela ausência de notícias, o porta-malas devia estar vazio, vazio...
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Velório
O taxista, falante toda vida, me explica porque não vai à praia ver os fogos na virada do ano:
- Aquele cheiro de pólvora queimada, mais o cheiro de vela e o cheiro de flor... Parece velório. Só falta o defunto.
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Domingo, Dezembro 28, 2003
Assassinaram a Bossa Nova
Mais um domingão de plantão no jornal. Na TV, o programa "Jovens tardes" homenageia - ou melhor, assassina - a Bossa Nova. Como bem diz o Antonio Carlos Miguel, é um "musicídio".
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Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
Ufa!
Estive em Berlim em agosto e só se falava num filme: "Adeus, Lênin!". De volta ao Brasil, escrevi uma capa para o Segundo Caderno sobre o Festival do Rio. Na hora de apontar qual seria, entre os mais de 300 filmes, a grande surpresa da mostra, afirmei sem hesitação para meu chefe: "Adeus, Lênin!".
E assim saiu publicado, com foto e tudo: "A SURPRESA - A comédia `Adeus, Lênin!', escolhida pela Alemanha para representar seu país no Oscar, conta a história de uma senhora que entra em coma antes da queda do muro de Berlim. Ela se recupera depois do fim do regime socialista e seu filho, com medo de que tenha uma recaída, se vira para que tudo pareça como antes. O filme fez enorme sucesso na Alemanha e despertou no país uma onda de ostalgie, neologismo formado pelas palavras ost (leste) e nostalgie."
O problema é que eu não tinha visto "Adeus, Lênin!" na viagem - sabe como é, falado em alemão, sem legenda... Ou seja, recomendei aos leitores sem ver. Felizmente, tornou-se o filme mais visto do festival e virou mesmo a surpresa da mostra. Mas ainda estava querendo tirar a prova dos nove, o que fiz ontem, no Estação Ipanema.
É mais melancólico e menos alegre do que imaginava, mas nem por isso deixa de encantar o público. Curioso é que os dois principais candidatos a melhor filme estrangeiro no Oscar, "Invasões bárbaras" e "Adeus, Lênin!", tenham como fio condutor a dedicação de um filho. No caso canadense, pelo pai, e, no caso alemão, pela mãe. Assim como o rapaz de "Invasões bárbaras" faz de tudo - inclusive subornar - para dar um fim de vida digno ao pai, o adolescente de "Adeus, Lênin!" não mede esforços em evitar, mesmo com a mentira, que a realidade abale a saúde frágil da mãe. Saí do cinema aliviado.
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Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
Espírito natalino
Restam bem poucos jornalistas a esta hora aqui no Globo. Também, faltam seis horas para a meia-noite. O restante da redação já está em casa se preparando para a ceia natalina. Eis que chega um cartão de Feliz Natal - mais um entre tantos. Mas esse vem com a musiquinha que, nos anos 60 e 70, acompanhava o anúncio do Banco Nacional. Junto com o jingle da Varig (aquele que começa assim: "Estrela brasileiro, no céu azul, iluminando de Norte a Sul") é o meu favorito. O brasileiro, que faz graça de tudo, logo apelidou a música de "Melô do sexo anal" - e quem ler as primeiras estrofes vai entender porque. Não há um quarentão que não sabia de cor os versos da canção. Para quem não sabe, aí vai: "Quero ver/você não chorar/não olhar pra trás/nem se arrepender do que faz/Quero ver/o amor vencer/mas se a dor nascer/você resistir e sorrir/Se você/pode ser assim/tão enorme assim/eu vou crer/Que o Natal existe/que ninguém é triste/que no mundo há sempre amor/Bom Natal um Feliz Natal/muito amor e paz pra você/pra você."
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Segunda-feira, Dezembro 22, 2003
Grande dama
Deu um trabalho danado entrevistar Cleyde Yáconis para a capa que saiu hoje no Segundo Caderno. Foram meses atrás da atriz. Quando tentei pela primeira vez, o gancho da reportagem era o Prêmio Jorge Amado de Literatura e Arte, que ela ganhou em setembro. Depois, a justificativa para a matéria virou seu aniversário de 80 anos, completados em novembro. O tempo passou e nada de conseguir falar com ela. Por fim, o gancho acabou sendo o Grande Prêmio que a crítica de São Paulo conferiu a ela este mês, pelo conjunto da obra. Uma das grandes damas do teatro brasileiro, Cleyde tem pavor de ser tratada como celebridade. Não gosta de se expor, prefere a companhia dos bichos e plantas de sua chácara à badalação do Rio e de São Paulo. Diz que odeia a palavra "adrenalina". Quando finalmente consegui a entrevista, ela ficou perguntando, de tempos em tempos:
- Acabou? Já não está bom?
Foi simpaticíssima e esbanjou simplicidade. Numa época em que qualquer atorzinho fica se achando porque fez uma ponta na TV, é um privilégio ter a chance de conversar com Cleyde Yáconis. Mesmo tendo que esperar quatro meses.
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De volta
Recuperaram meu carro. É o que diz, com voz burocrática, o inspetor da 172o.DP, esta manhã, ao telefone. Pergunto pelo estado do automóvel.
- Mais ou menos.
Nem me animo a perguntar sobre o que havia dentro. Se os bandidos deixaram alguma coisa, o que é pouco provável, a polícia se encarregou de ficar com o resto. Mas o que havia de mais importante era a papelada de trabalho, que não interessa a ninguém, além de mim. Quem sabe continua no porta-malas, em vez de ter ido para algum lixão? As chances são ridiculamente pequenas, mas nunca se sabe. Em breve, saberei e darei mais detalhes.
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
Isto é Rio
A mocinha saiu da C&A em Copacabana cheia de sacolas. Passara a manhã na loja, dera cotoveladas e encontrões, mas tinha conseguido fazer todas as compras do Natal. Estava no ponto de ônibus lotado quando um rapaz se aproximou, apontou uma arma e levou tudo, inclusive a bolsa. O homem encaminhou-se tranqüilamente para a moto, que havia estacionado pouco antes, e sumiu de vista, enquanto a garota chorava e gritava. Aconteceu no início da tarde de hoje, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Estava lá meio mundo, menos a polícia.
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Sustos
Meu amigo Zeca Borges pensa em criar uma ONG de receptação. A idéia é acolher objetos que estavam em carros roubados. Porque quando o ladrão leva o carro, encontra um monte de material que não lhe interessa, como papéis, documentos, fitas, vídeos, fotos. Ele joga tudo no lixo, enquanto você se descabela. Com a ONG, os associados teriam dentro do automóvel um adesivo dizendo: "Se você está roubando este carro, ligue para o telefone tal. Garante-se o sigilo e gratifica-se bem." O material devolvido seria levado para a ONG e ficaria guardado num escaninho, à espera do dono. Trata-se de uma brincadeira, claro, mas que se existisse facilitaria muito minha vida. Toda hora me dou conta de algo mais que se foi junto com o carro. É o carnê atrasado do IPTU, as agendas de telefone, as fitas com entrevistas, a senha do Smiles, o cartão do Seguro Saúde, o cartão da videolocadora, os pedidos de exame médico, os blocos de anotação, o filme para ser revelado, as contas já vencidas, o vídeo que tinha que ser devolvido, o livro com dedicatória e até formulário para pagamento de bagagem extraviada da Iberia. Cada dia é um susto.
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
Aids e imprensa
Momento "Nossos comerciais, por favor". Amanhã, o Banco de Horas (www.bancodehoras.org.br), que fornece atendimento psicoterapêutico gratuito a soropositivos, comemora dez anos com um evento, às 20h, no Solar da Imperatriz (Rua Pacheco Leão, 2.004, Horto). Na ocasião, será lançado o livro "Epidemia indetectável", de Liv Sovik, Mariza Morgado, Mauro Ventura, Monica Barbosa, Paulo Vaz e Valeria Sarraceni, com organização de Carmen Lent e Cristiane Silva. O livro reúne os seminários promovidos pelo Banco de Horas sobre a Aids. O tema de minha palestra foi: "A (in)visibilidade da Aids na imprensa". Quem quiser aparecer por lá será bem-vindo.
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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
Bate-papo
Estive com dois escritores de romance policial, o ex-professor Luiz Alfredo Garcia-Roza - criador do delegado carioca Espinosa - e o ex-delegado Joaquim Nogueira - inventor do inspetor paulista Venício. Foi um bate-papo agradável, que rendeu a capa do Segundo Caderno de hoje. Quem quiser ler pode acessar o dizventura2.
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
Meia-volta
Ando fugindo dos vizinhos. É um tal de dar meia-volta, acelerar o passo, me esconder atrás de pilastras, fingir que não é comigo. Mas não tem jeito. Volta e meia esbarro em um, e tenho que contar detalhes do assalto. Como tive que trocar as fechaduras, todo o prédio soube do furto. A preocupação deles parece ser sincera. O problema é que a abordagem se dá sempre que estou atrasado. E não estou sempre atrasado?
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Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Mundo cão parte 2
Quer ver movimento é só entrar numa delegacia. Eis que chega um garotão carregando um pivete pela camisa. O menino, franzino toda vida, é arremessado balcão adentro, como se fosse um pedaço de papel amassado. O rapaz grita: "Esse moleque estava roubando meu carro." Logo chega uma mulher espancada pelo marido. Pouco depois, um casal que teve o carro furtado. Os dois estacionaram no Vaga Certa da prefeitura, mas o talão do guardador tinha acabado. "Fica por 1 real, doutor", e estamos conversados. Quando os dois voltaram, nada de carro, nem de guardador.
- É vaga certa para roubar - a moça ainda encontra ânimo para fazer trocadilho.
Alguém poderia perguntar o que eu estava fazendo na delegacia. Engrossando as estatísticas da criminalidade. Furto de carro. Estacionei durante 20 minutos e quando voltei, nada. Leva algum tempo até você se dar conta do sumiço. "Ué, já estou no meio da rua e nem sinal do carro. Já sei, devo ter estacionado mais para frente. Mas eu não tinha parado quase na esquina?" Você vai e volta seguidas vezes, em busca de uma explicação. "Ah, devo ter parado na outra rua." Nada. "Será que rebocaram? Não, já são nove e meia da noite." Até que chega a hora de enfrentar a realidade.
O problema é ainda maior para quem, como eu, faz do veículo uma extensão da casa.
O balanço do que havia no automóvel demora dias. Os documentos estavam no porta-luvas? Estavam. Ih, as chaves também. Tem que trocar todas as fechaduras. E a pasta novinha, com todo o material de trabalho? Já era. Os objetos vão aparecendo aos poucos na memória: bola de basquete, livros, luva de boxe, short, agenda, toalha, fitas com entrevistas, CDs... Não, CDs, não, porque o CD-player já tinha sido levado há tempos. Onde está meu chinelo, que sumiu do armário? No porta-malas, é claro. Será que os presentes estavam no carro? Estavam. É um exercício de masoquismo, melhor desistir de lembrar.
Junto com o furto vêm as manifestações de consolo. "Roubaram seu carro?", pergunta a vizinha. "Não, foi furto", respondo. "Graças a Deus, graças a Deus!", ela exclama, solidária, antes de acrescentar: "Eu fui roubada por três homens na Linha Vermelha e até hoje fico assustada com as lembranças daquela arma apontada na minha testa." Pois é, chegamos a esse ponto. Foi furtado? Que bom que não foi roubado. Foi roubado? Que bom que escapou com vida. Morreu? Pelo menos não sofreu. Sofreu? Ih...
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Mundo cão
O táxi passa por um comboio de viaturas da polícia. Não resisto ao comentário: "Estão em busca do décimo-terceiro." O motorista, sério, conta que seu primo é policial. Imagino que tenha ficado chateado com minha observação, mas ele diz: "Meu primo era um idealista. Pedia dinheiro emprestado para pagar passagem de ônibus, era estudioso e dizia: `Vou entrar para a polícia e não vou receber um centavo por fora.' Um ano depois de virar PM ele já estava com carro do ano, moto e casa própria. Perguntei o que tinha sido feito daquele idealismo todo e ele disse: `Ai de eu se não entrasse no esquema. Não estaria aqui nem para contar isso'."
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Gaiato
Plástico no vidro da Kombi que circula à minha frente: "Como estou dirigindo? Ligue 0800 #&!$?*#"
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
Adevolve
Brasileiro tem o hábito de inverter o sentido das palavras. Há casos manjados, como "me inclui fora dessa", "vou chegar", quando se está saindo, e "pois não", que significa sim, e "pois sim", que quer dizer não. Lembro do sujeito que bateu de carro em Santa Teresa e foi pedir ajuda a um guarda. O PM não quis saber de intimidade: "Se aproxima pra lá que eu sou autoridade".
Outro traço comum aos brasileiros é complicar a língua, como pôr uma letra "a" na frente dos verbos. Volta e meia ouço alguém, em geral humilde, dizer: "ajunta aí", "alembrei", "adevolve". Dia desses, ouvi uma boa. Era o segurança de uma loja em Ipanema falando com guardas municipais que brigavam com camelôs:
- Desafasta daí, que está atrapalhando a entrada.
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Jaca
A viagem a Brasíla foi uma correria só. Fomos convidados para acompanhar o lançamento do plano do governo para a infância e a adolescência. Logo na chegada, um rapaz da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) me recepciona:
- Oi Jaca.
- Jaca? - pergunto.
Digo que ele deve estar confundindo as pessoas. Ele faz cara de espanto diante de minha desinformação e me explica que Jaca é sigla para Jornalista Amigo da Criança, título que, sabe-se lá porque, a Andi resolveu me conferir há dois anos e eu de bom grado aceitei.
Esclarecido o assunto, começamos os trabalhos. O plano foi anunciado por Lula na Escola Militar de Brasília. Um auditório lotado de jovens de todo o Brasil comportou-se como se estivesse diante de um ídolo do rock na entrada do presidente. Berros histéricos, aplausos entusiasmados, flashs por todo lado e gritos de "Nao à redução!", numa referência à campanha de redução da maioridade penal. Apesar da histeria, os jovens não perderam o senso crítico. Antes do discurso presidencial, estivemos com 26 adolescentes que criaram o portal Sou de Atitude (www.soudeatitude.org.br).
A idéia é fiscalizar as ações do governo, para que o plano de Lula não fique só no blábláblá. A garotada passou três dias reunida em Brasília e já apontou algumas falhas no plano, como a falta de referência aos usuários de drogas.
- Queremos quebrar os rótulos que a sociedade nos impôs, como o de geração Coca-Cola. Vamos mostrar que os jovens são responsáveis pelo presente e não só pelo futuro - disse Regina Maria da Silva, de 18 anos, do Rio Grande do Norte.
Sobrou também para a gente.
- Por que quando o assassino é pobre a imprensa diz "Menor mata" e quando é rico diz "Adolescente mata" ou "Estudante mata?" - cobrou um rapaz.
Saí de lá com uma agradável sensação de que a viagem tinha valido a pena.
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Terça-feira, Dezembro 02, 2003
Estulto
Abro o jornal de hoje e vejo publicada a reportagem que escrevi sobre o lançamento do plano Presidente Amigo da Criança, em Brasília. Percebo que o redator acrescentou um trecho, dizendo que Lula voltou a afirmar que é contra a redução da maioridade final e que o encontro se transformou numa manifestação contra a redução.
Tudo bem, penso eu. Até que, quatro páginas depois, leio a coluna de Luiz Garcia, em que ele cita as principais bobagens que freqüentam as páginas dos jornais. Lá está, em caixa alta: "BOBAGEM FINAL - ´Reduzir a maioridade penal´. Quase todo mundo está dizendo e escrevendo essa estultice. Mas bastaria singelo raciocínio: a maioridade penal é a fase da vida do cidadão em que ele é penalmente responsável. Reduzi-la seria diminuir esse período - exatamente o oposto do que se está propondo. Basta pensar um pouquinho, usar o dicionário, consultar livros como o do mestre Domício Proença Filho."
Como a reportagem está assinada por mim, passei por estulto (segundo o Aurélio, "tolo, néscio, imbecil, insensato, inepto, estúpido").
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Dois países
O governo italiano, preocupado com a queda da taxa de natalidade no país, está pagando às mulheres mil euros (R$ 3.529) para cada novo filho, informam os jornais. Estive ontem em Brasília para o lançamento da campanha Presidente Amigo da Criança. Tivemos um encontro com 26 jovens de todo o país. Um deles, do interior da Bahia, contou que as mulheres de sua cidade estão tendo filho somente para poder receber o bolsa-escola do governo. Valor: R$ 15 por mês.
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De Leve
Sábado saiu uma capa que fiz com De Leve, nova sensação do rap carioca (quem quiser ler pode acessar aqui). Antes da reportagem, o Nomínimo já tinha feito um perfil excelente do rapper, assinado pela Cecília Giannettii. De Leve é uma figuraça, escrachado até dizer chega. E o bom é que não está nem aí para a fama. Em seu fotolog (fotolog.net/deleve), ele escreveu: "Passam-se dois dias do fatidico episodio do jornal o globo e sabe o que mudou? Nada. Claro que algumas vizinhas fofoqueiras que achavam que eu era soh mais um vagabundo [nao que eu nao seja tb] agora sabem que eu faco musica. oh, que legal. Foi o que o Felipe Motta disse: "Anda na rua de cabeca pro alto, vai que alguem te reconhece". babaca. Pelo menos fica a mensagem pros artistas filhos de artistas [no caso da trama] e pras outras celebridades do tipo "lulu gimenez" e "lulu huck" e pras babas do tipo do jota quest. Pra eles eu mando a parodia do roberto carlos: "eu quero ter um milhao de inimigos e bem mais forte poder zuar..."
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