Quarta-feira, Julho 28, 2004
Olga
Ontem, nariz fungando, cabeça doendo, garganta irritada, tudo o que queria era seguir para casa. Mas tive que ir ao Odeon ver a pré-estréia do filme "Olga". Quem dera que fosse somente para assistir ao longa-metragem do diretor Jayme Monjardim. Na verdade, minha tarefa era mediar o debate que se seguiria à projeção.
Três pessoas para mim já é multidão. Imaginem 600. Como acontece toda vez que aceito esses convites, arrependi-me profundamente depois. Mas até que não foi tão traumático - tirando o fato de que o Jayme, metade por temperamente, metade por ansiedade, insistia em ficar dando palpites. O bate--papo durou pouco mais de uma hora, com a presença do escritor Fernando Morais (autor do best-seller que deu origem ao filme), do ator Caco Ciocler (que interpreta Prestes), da atriz Camila Morgado, do Jayme e da produtora e roteirista Rita Buzzar. Quem quiser pode ver a foto aqui.
Antes do debate, Fernando contou uma história curiosa. Disse que quando escrevia o livro, nos anos 80, procurou saber quantos ruas havia com o nome Olga Benário no país. Descobriu só uma, em Ribeirão Preto, justamente no bairro mais luxuoso da cidade. Foi idéia de um vereador comunista, que só ocupou a Câmara um dia, e aproveitou a oportunidade para homenagear a revolucionária alemã. Hoje, contou Fernando, já existem mais de cem ruas no país com o nome Olga Benário. Depois que o filme estrear, então...
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Quinta-feira, Julho 22, 2004
Menos sangue
Outra piada fresquinha, esta recebida pelo meu chefe, vinda do leitor Pedro Jorge:
- Finalmente a família Matheus fez algo para reduzir o derramamento de sangue no estado do Rio de Janeiro. A governadora se submeteu a uma cirurgia para reduzir o fluxo menstrual.
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Cachorrada
Piadinha recém-chegada pela internet:
Rosinha Garotinho e seu chofer passavam por uma estrada quando, subitamente, atropelaram uma cachorra, matando-a.
Imediatamente Rosinha disse ao seu chofer que fosse até a fazenda explicar o ocorrido ao dono do animal e pedir-lhe desculpas.
Uma hora mais tarde, Rosinha vê seu chofer voltar cambaleando, com um charuto Monte Cristo número 1 na mão e com uma garrafa de Johnny Walker Blue na outra, além da roupa toda amarrotada.
- O que aconteceu?! - perguntou Rosinha.
E o chofer respondeu:
- Bem, senhora governadora. O fazendeiro me deu o uísque. Sua mulher me deu o charuto. E sua charmosa filha de 19 anos fez amor comigo, apaixonadamente!!!
- Meu Deus homem! O que foi que você disse a eles? - perguntou Rosinha Garotinho.
E o chofer respondeu:
- "Sou o chofer da governadora do Rio e acabo de matar a cachorra!!!"
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Terça-feira, Julho 20, 2004
20 de julho de 1969
"Em que dia o homem chegou à Lua?" - foi a pergunta que o neurologista me fez, no já distante ano de 1994, para testar se eu estava, como diz o linguajar médico, em pleno domínio das minhas faculdades mentais.
Lembro de ter dito: "20 de julho de 1969." Resposta certa, para felicidade do médico e de meus pais, que cercavam a cama da clínica onde eu estava internado, vítima de um derrame cerebral.
Hoje, como todos devem ter lidos nos jornais, faz 35 anos que Neil Armstrong pisou na Lua. É difícil separar memória de imaginação, mas recordo a família toda reunida em torno da TV preto-e-branca para ver a cena.
Dizem que as imagens chegaram ligeiramente tremidas, mas estaria mentindo se dissesse que tenho vivas as lembranças na minha mente. Lembro apenas que havia uma excitação no ar, uma espécie de frisson. Só não tenho a menor idéia de porque o médico escolheu esta pergunta - nem de como consegui acertar a resposta.
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Carne
Da coluna do Pedro Doria no site Nomínimo:
"Há uma trupe de vegetarianos que defende que o homem não é, por natureza, bicho que come carne.
Estão errados.
A análise das moléculas na superfície de uma pedra afiada encontrada na África revelou que foi usada para cortar carne: havia nela sangue e gordura. A datação indica dois milhões de anos.
Ou seja, carne faz parte da dieta dos hominídeos desde os tempos do Homo habilis - uns quatro passos evolucionários antes de nós."
Da minha faz parte desde que eu desmamei.
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Segunda-feira, Julho 19, 2004
Borboleta
Chega e-mail anunciando o 16º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, esta semana. Na sexta-feira, o destaque é a palestra "As películas cinematográficas e as asas da borboleta".
Virou chavão dizer que, com a globalização, o bater de asas de uma borboleta na Austrália (ou no Brasil) desencadeia um tornado no Texas. Mas o que diabos as asas da borboleta têm a ver com o cinema por favor quem souber me explique.
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Quinta-feira, Julho 15, 2004
Definição
Daniel Filho contou-me uma coisa curiosa a respeito dos jornalistas. Com a autoridade de quem é entrevistado há 40 anos, disse:
- O repórter vem, me pergunta um monte de bobagens, eu respondo um monte de bobagens, depois na hora de escrever ele corta as bobagens dele e só ficam as minhas.
E não é que ele tem uma certa razão? Ontem, ficamos um tempo conversando sobre jornalismo. Lembrei a Daniel de uma capa que eu e Márcia Vieira fizemos com ele em 1988 para a revista Domingo do Jornal do Brasil. Lá pelas tantas, perguntei-lhe sobre sua relação de amor e ódio com a TV Globo. Ele respondeu:
- A TV Globo é que nem cocaína.
Passado o impacto inicial, ele se alongava na explicação, situava a frase no contexto, dava todas as coordenadas para o leitor entender a comparação. Na hora da edição, meu chefe não quis nem saber: botou a foto dele na capa e estampou a frase, em letras garrafais. Ele, claro, ficou chateado. Mas ontem estava de bom humor e ficamos de papo por um bom par de horas. O resultado vocês vão ver nos próximos dias.
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Símio
A notícia mais curiosa hoje do jornal estava na seção Há 50 anos. Vamos a ela:
"Os macacos, à semelhança de seus descendentes humanos, também costumam aprontar diabruras. Veja-se o caso deste pequeno símio que surgia em Botafogo, nas proximidades da rua São Clemente, e que a garotada apelidou de Chico. O animal acha-se no direito de perturbar a vida de todo mundo. Parece dono do próprio nariz, pois até agora ninguém apareceu para reclamá-lo. Na casa 16, pela altura do número 107 da Rua São Clemente, o bicho encantou-se com o aparelho de televisão. Depois de roubar cigarros, dinheiro, documentos e quebrar a louça de várias casas, ele fugiu da polícia e deve continuar aprontando."
O jornalismo costuma ser saco de pancadas de todo mundo, mas não se pode negar que os textos melhoraram muito de 50 anos para cá.
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Quarta-feira, Julho 14, 2004
Prioridade
Todo dia, às 8h30, começa a obra no prédio ao lado do meu. O barulho das máquinas pouco me atrapalha. O bate-estacas não chega a interromper meu sono. O serrote não traz maiores danos à minha saúde mental.
Agora, o que realmente me desperta precocemente, me tira do sério e faz aflorar instintos assassinos é a pausa. A hora em que eles interrompem os trabalhos. Neste momento, começam a conversar - sempre em voz alta, em geral sobre futebol -, a cantar - pagode, claro - e a assobiar.
Ivan Lessa conta que a ausência do assobio é uma das principais razões que o mantém na Inglaterra. Nós, brasileiros, assobiamos demais e isso lhe dá nos nervos "horrendamente". Sou solidário a ele. Não saberia explicar o motivo de tanto pavor. Talvez porque no jornal tenha um rapaz - um amor de pessoa, por sinal - que assobia compulsivamente. Você está ali, tentando a todo custo arrumar concentração para escrever a reportagem, e lá vem o "fiufiuriufiu, firifiufiu". Minha prioridade número 1 chama-se walkman.
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Segredos
Cheguei há pouco de uma entrevista e a moça contou uma história curiosa. Perguntou a um preso do Carandiru qual foi a coisa que ele mais gostou de fazer na vida.
Resposta: "Assaltei um banco e não fui pego. Um mês depois, voltei. Como eu estava mascarado na hora do roubo, ninguém me reconheceu."
O prazer dele era conhecer segredos da vida daqueles funcionários que ninguém mais sabia:
"O gerente, por exemplo, parecia um manda-chuva, dando ordens para todo mundo, mas só eu sei que quando ele está com medo bate o queixo."
Em matéria de prazer mesquinho esse aí bate recordes.
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Macacos me mordam
Da série "como pude viver até hoje sem saber disso". Dica de saúde animal do provedor UOL:
Dê uma banana para as verrugas de seu cão.
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Racista?
Mensagem recebida hoje pelo e-mail:
"Teste rápido para descobrir se você é racista ou não. Responda rápido:
Num galinheiro existem 30 galinhas. Um negro levou 10 galinhas. Quantas galinhas ficaram no galinheiro?
Resultado:
Se você respondeu 20 galinhas - Você é racista.
Se você respondeu 40 galinhas - Parabéns!!
Afinal, se tinham 30 e ele levou mais 10, ficaram 40 galinhas. Eu não disse que ele tinha roubado."
Eu respondi 20 - e achei a idéia bem bolada -, mas confesso que não me sinto nem um pouco racista. Se estivesse escrito "um branco levou 10 galinhas", teria respondido 20 do mesmo jeito. Da mesma forma que se estivesse escrito chinês, americano, índio, alemão...
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Domingo, Julho 04, 2004
Suécia
Explicação de um jurado sobre a vitória de uma baiana no concurso miss Brasil:
- Os cabelos são louros, mas naturais, o que é raro hoje nesta época de falsificações.
O ano? 1954. O jurado era ninguém menos do que o poeta Manuel Bandeira e a miss, Marta Rocha. A notícia saiu publicada semana passada na seção "Há 50 anos", no Segundo Caderno. Se naquela época era assim, o que diria o poeta hoje, ao ver o país transformado numa imensa Suécia fake. Na minha infância, as louras eram um acontecimento raro. Você via uma aqui, outra ali e só. Na adolescência, já eram um pouco mais comuns, mas ainda assim contavam-se nos dedos. Hoje, você caminha pelas ruas e imagina que a clonagem já começou: uma coleção de mulheres saídas da mesma forma, com cabelos esticados, pintados de louro e jogados para o lado.
Como diz Verissimo, ao deitar você tem uma filha brasileira e, no dia seguinte, dá de cara com uma nórdica. Uma mesmice só.
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