DizVentura
 

 
Reflexões crônicas sobre literatura e jornalismo. Email: mventura@oglobo.com.br.
 
 
on-line

   
 
Quarta-feira, Março 30, 2005
 
Deixe Jesus entrar na sua vida

Volta e meia chegam e-mails de leitores com pedidos esdrúxulos. Tem um fresquinho:

"Estimado senhores
Eu gostaria de receber um artigo de mim que foi publicado Janeiro de 1989 de domingo.
Jesse F. Salgado"

De mim?

Leonardo Rodrigues Matos foi mais ambicioso e, no começo de março, mandou o seguinte pedido:

"Em relacao aos shows de comemoracao do aniversario do rio. eu queria saber todos shows e os seus valores. Obrigado."

Moleza, não?

Mas em matéria de e-mails inusitados poucos superam o que recebi de Panchi Soto e Allex Rage, organizadores do evento Xerém Rock Mix Festival:

"Gostaríamos de testemunhar o melhor acontecimento de nossas vidas. Depois de procurarmos, por diversos caminhos, uma verdadeira e viceral (sic) experiência com o sobrenatural, conseguimos finalmente vivenciar o Espírito Santo.

Este fato abençoado transformou nossas vidas e nossos propósitos. Toda angústia e maldição foi expulsa para dar lugar à luz, continuaremos nossas atividades, porém, com outros propósitos e com outra visão, a visão do Espírito Santo de Deus.

O Xerém Rock Mix Festival - d.C. (depois de Cristo) virá para expor este novo objetivo. Aguardem!!".

Aleluia, irmão.

Comente aqui:
Domingo, Março 27, 2005
 
Mais um na lista

Meu amigo incluiu outro nome no bolão mórbido que ele está tentando fazer: o do príncipe Rainier, de Mônaco.
Comente aqui:
 
Troca-troca

Critiquei o apresentador da TV PUC que perguntou errado, mas eu mesmo tenho trocado as bolas de vez em quando.

No bar, pedi acarajé sem cariri, em vez de caruru. No restaurante, falei que queria uma torta triquilar (nome de uma pílula anticoncepcional), em vez de uma torta tricolor. Aqui no jornal, disse Digicol (sistema de pesquisa aqui do jornal) quando queria dizer Discolândia (coluna de música do Segundo Caderno).

Depois reclamo quando trocam meu nome...
Comente aqui:
 
Trocaram as bolas

Semana passada, fui chamado à TV PUC para falar sobre o esvaziamento cultural do Rio. Antes de começar o programa, mostraram-me o roteiro. Eu iria falar de vários assuntos, como Cidade da Música, Guggenheim, teatro a 1 real, decadência dos cinemas de rua, política cultural municipal, estadual e federal, falta de espaços para cultura na cidade, e por aí vai.

Outro convidado, Rodrigo Quick, falaria de outros assuntos. E o programa se encerraria da seguinte forma: "Mauro, quais são as formas de combater o esvaziamente cultural do Rio?".

Como eu ia ficar com o grand finale, resolvi não gastar munição à toa. Respondi às perguntas de forma burocrática e sem muita ênfase, guardando as melhores informações e os principais trunfos para o fim. Estava com tudo na cabeça para encerrar com brilho o programa.

Até que, na hora combinada, o apresentador se confundiu, virou-se para meu colega de bancada e perguntou: "Rodrigo, quais são as formas de combater o esvaziamento cultural do Rio?".

Deu uma raiva...
Comente aqui:
Quarta-feira, Março 23, 2005
 
Clonagem

Na fila do restaurante, a mãe se vira para a filha e diz:

- Eu que te salvei.

Fiquei curioso e me pus a imaginar que salvação seria essa. Pelo tom da voz, não se tratava de nada dramático. Talvez a filha tenha querido cursar jornalismo e a mãe abriu seus olhos para as agruras da profissão. Quem sabe ela tinha feito uma má escolha de namorado e a mãe mostrou-lhe quão calhorda era o rapaz.

Enquanto eu me perdia em pensamentos, a mãe completou a frase:

- Se não fosse por mim você seria tóinóinóin, como seu pai.

Olhei para trás e entendi tudo. A menina, a exemplo da mãe, tinha os cabelos escorridos - do tipo que hoje enfeita a cabeça de nove entre dez jovens.

O verbo usado por ela - salvar - dá bem a medida da época em que vivemos, de satanização dos cabelos crespos. Mulheres de linda cabeleira cacheada se submetem à ditadura da chapinha, da escova ou do alisamento japonês para esticar os fios e assim ficar iguais a todas as outras. Você olha para o lado e dá de cara com aquela massa uniforme de cabelos lisos. As mulheres parecem ter sido clonadas em série - pelo menos no que diz respeito à cabeça. Um pesadelo para quem é fã dos cabelos cacheados.
Comente aqui:
 
Socorro

Um amigo me diz:

- Estou fazendo um bolão. Ganha aquele que acertar quem vai morrer primeiro: o papa, a mulher-rabanete ou o engenheiro brasileiro seqüestrado no Iraque.

Mulher-rabanete?

- É aquela moça em estado vegetativo nos Estados Unidos.

Já vi histórias politicamente incorretas e de mau gosto, mas essa bate recordes. Evidentemente ninguém quis entrar no bolão.
Comente aqui:
Quinta-feira, Março 17, 2005
 
Nome certo

Meu desapontamento durou pouco. Hoje recebi um e-mail de Miguel Sousa Tavares comentando a reportagem que fiz com ele e que saiu publicada no Prosa & Verso. Pois não é que ele acertou o nome? Não falou Paulo, Lauro, Mário ou Moraes. Vejam só:

"Alô Mauro. Tinha lido a entrevista no site do Globo e achei-a excelente. Você confirma as razões da minha antiga e grande admiração pelo jornalismo que vocês fazem, aí, no Brasil. Um abraço grande, Miguel Sousa Tavares."
Comente aqui:
Quarta-feira, Março 16, 2005
 
Não é paranóia, não

Quando eu digo que ninguém acerta meu nome não é paranóia. É um tal de me chamarem de Paulo, Lauro, Mário e até Moraes. E olha que me chamo Mauro, e não Cléverton.

Mas vamos aos fatos. O escritor português Miguel Sousa Tavares passou duas semanas no Brasil. Veio fazer pesquisas para seu novo livro, que é passado no Vale do Paraíba, na Andaluzia e no Alentejo. Miguel é autor do romance "Equador", que já vendeu 250 mil exemplares em Portugal e aqui já está na segunda edição.

Durante uns dias, tive o privilégio de ser uma espécie de cicerone de Miguel no Rio. Levei-o para jantar no restaurante Sobrenatural, em Santa Teresa, e apresentei-lhe uma roda de choro. Meu pai também organizou para ele um jantar tipicamente mineiro na casa de Lula Vieira e Silvana Gontijo. Miguel ficou feliz da vida em provar angu, de que tanto ouvirara falar.

Falamo-nos ao telefone algumas vezes. No último dia de Miguel no Rio, consegui convendê-lo a dar-me uma entrevista, que saiu publicada no caderno Prosa & Verso do sábado passado. Afinal, trata-se de um dos principais escritores portugueses, apaixonado pelo Brasil, que vai usar o país como cenário de seu novo romance.

Ao fim da conversa, ele presenteou-me com um exemplar de seu magnífico "Equador". E fez uma dedicatória caprichada, retribuindo a hospitalidade.

Agradeci, nos despedimos e entrei no táxi. Demorei-me a abrir o livro, prolongando o prazer de ver o texto. Quando abro, lá está: "Ao Paulo, com amizade, Miguel."

Pois é, depois dizem que eu exagero.
Comente aqui:
 
Da série "Eu mereço"

Mensagem recebida aqui na redação:

"Os atores do espetáculo Gaf, que está em cartaz no Café Teatro Casa do Riso, estão indignados, com a falta de profissionalismo por parte dos administradores da casa. (...) A atriz e produtora da peça Antonia Fontenelle, deixou bem claro que só não canselou a temporada por conta de um contrato com a revista camara de arte, cuja recisão é de R$ 50,00 (cinquenta mil reais)."

Canselou?

O detalhe é o nome do remetente: Gutembergue Lima Barbosa Junior.

O nome do rapaz é uma variante de Gutenberg, o inventor da imprensa. Eu sei que volta e meia a gente comete alguns erros de fazer Gutenberg se revirar no túmulo, mas esse Gutembergue exagerou na dose.


Comente aqui:
Segunda-feira, Março 07, 2005
 
Esperteza

Estaciono na Barra e o guardador do Vaga Certa põe o tíquete no painel do meu carro. Acho estranho a pressa com que ele enfia o papel no automóvel, mas algo me distrai e sigo em frente.

Na volta, entro no carro e preparo-me para sair quando o rapaz me pergunta:

- Você ainda vai usar o tíquete?

Respondo automaticamente que vou, talvez intuindo que boa coisa não era. Afinal, por que ele quereria um tíquete usado? Não deu outra. Quando olhei o papel, vi que os dados anotados não tinham nada a ver com os do meu carro. Simplesmente o guardador da prefeitura vai repassando o mesmo tíquete ao longo do dia, ganhando R$ 2 a cada vez.

Amanhã vou ligar para a ouvidoria da CET-Rio (2508-5500) e denunciar o golpe. Depois eu conto como foi.

Comente aqui:
Terça-feira, Março 01, 2005
 
Atrasado

Chegou agora há pouco à redação um envelope da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids) contendo um ensaio intitulado "O kama sutra de Bush: muitas posições sobre o sexo". É endereçado a Zózimo Barroso do Amaral, nome maior do colunismo social brasileiro.

Zózimo morreu em 1997. Sei não, mas acho que a Abia precisa atualizar seu mailing.
Comente aqui:

 

 

Blogs preferidos:

   
  This page is powered by Blogger, the easy way to update your web site.  

Home  |  Arquivos