Terça-feira, Outubro 25, 2005
É Natal
Chegou o Natal. Os panetones invadiram os supermercados e os e-mails natalinos já começam a aterrissar na caixa postal.
O primeiro acabou de chegar, ensinando como preparar o clima de Natal em casa. E olha que estamos em outubro. Socorro!
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Domingo, Outubro 16, 2005
Tem dias que a gente se sente
Hoje acordei melancólico. Não é algo que me ocorra com freqüência. Acho que tem a ver com a perspectiva quase certa de vitória do "não" no referendo de domingo.
Folheando a revista "Entrelivros", descubro que a melancolia foi considerada durante oito séculos um pecado capital pela Igreja. Isso quer dizer que, durante 800 anos, a pessoa não apenas sofria com seu estado de espírito propenso à tristeza como ainda era considerada uma grave pecadora.
A revista fala do livro "Preguiça", de Wendy Wasserstein. O autor explica como a melancolia saiu fora da lista de condenações da religião católica: "As reclamações sobre o fato de que melancolia era vaga demais para ser um pecado fizeram com que a Igreja a substituísse por preguiça no século XVII."
Num mundo marcado cada vez mais pela velocidade e pela afobação, já estava na hora de a Igreja arrumar outro coisa para pôr no lugar da preguiça.
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Quinta-feira, Outubro 13, 2005
Bom de papo
Graças a José Dirceu, minha segunda-feira de trabalho começou às 10h e terminou à uma da manhã. O deputado petista resolveu se reunir com a classe artística e proibiu a entrada da imprensa.
Por causa disso, fiquei das 19h à 1h parado na porta da casa do produtor Luiz Carlos Barreto, num daqueles plantões intermináveis e sonolentos. Como eu, outros repórteres amargaram fome, cansaço e frio à espera de alguma frase do ex-chefe da Casa Civil. Não adiantou nada. Ele chegou e saiu numa caminhonete, sem dar qualquer declaração.
Mas, no dia seguinte, conversando com alguns convidados, deu para reconstituir o que Dirceu disse no encontro. Para começar, ele disse achar muito difícil escapar da cassação. Explicou que se não for cassado ficará um cheiro de pizza no ar. Mas falou que, mesmo sem mandato ou cargo no governo, vai continuar fazendo política.
Também disse: "Sou um bom advogado e tenho uma excelente carreira como advogado pela frente." Dirceu assumiu erros políticos - como não ter tido preocupação de criar maioria no Congresso -, mas falou que não existe "nada que comprove o chamado mensalão". Contou que já estão comprovados telefonemas de Marcos Valério para o comitê de Serra e reclamou que isso não ganha a mesma dimensão na imprensa.
Em vários momentos, ficou com os olhos cheios d'água, como na hora em que falou das filhas.
- Ele disse que sente nos olhos delas a angústia da gravidade da situação que está vivendo - revelou um dos participantes.
Dirceu conseguiu sensibilizar os convidados. Na saída, o escritor e jornalista Fernando Morais me disse:
- Eu confio na isenção e na honestidade dele. Não acho que um sujeito que arriscou a vida por idéias ia emporcalhar a biografia aos 60 anos por causa do dinheiro.
O ator José de Abreu falou:
- Não posso falar por todo mundo, mas senti uma grande solidariedade. Acho que ninguém acredita que ele seja corrupto.
O anfitrião afirmou:
- Não vejo nele uma pessoa que seria capaz de praticar qualquer ato de corrupção - disse Barretão. - Ele não está preocupado com acumulação de dinheiro. Um país como o Brasil não pode se dar ao luxo de desperdiçar um quadro como o José Dirceu. É um crime político.
O cartunista Ziraldo resumiu bem a lábia do deputado petista:
- Ele é um craque. Pode ser até que chegue em casa agora, penteie o cabelo e diga: "Ha ha, consegui enganar até o Ziraldo!". Mas acho que não botou um tostão no bolso.
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Segunda-feira, Outubro 10, 2005
Coveiro de escola
Meu passado está sumindo. A primeira escola em que estudei, a ASCB (Associação dos Servidores Civis do Brasil), acabou faz tempo. Foi a primeira a desaparecer. No lugar, surgiu um estacionamento.
De lá, mudei-me para o Souza Leão, que ficava ao lado do Parque Lage. O colégio foi abaixo e no lugar foi erguido um prédio da Rede Globo.
A terceira escola, Gimk (Ginásio Integrado Magdalena Khan), foi a terceira a sumir. Com a morte da fundadora, os herdeiros seguiram o testamento em que ela pedia o fim do colégio. O prédio permanece abandonado, no Leblon.
O pouso seguinte foi o Bahiense, onde concluí o terceiro grau. Agora leio que o colégio vai fechar, vitimado pela violência nas redondezas - leia-se, Rocinha.
Só sobrou a PUC. Vida longa à minha antiga universidade.
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Sexta-feira, Outubro 07, 2005
Obrigado, leitor
A boa notícia: este blog foi indicado para um prêmio por um fiel leitor. A má: são mais de cem indicados em língua portuguesa.
Um amigo me escreveu contando do concurso. Confesso que não sabia. Acessei o site e li do que se trata:
"Como emissora internacional e provedora na internet, mas também como fomentadora da liberdade de informação em todo o mundo, a DW-WORLD, portal de internet da Deutsche Welle, organiza este concurso internacional de weblogs. No total, serão concedidos 13 prêmios, além de um prêmio dos usuários. Uma prioridade do concurso é o fomento dos weblogs voltados para o jornalismo, mas também outros weblogs estão convidados a participar."
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Segunda-feira, Outubro 03, 2005
Celular
A sessão de cinema seguia tranqüila quando um telefone celular começou a tocar. Logo alguém fez "xiiiii", outros seguiram o exemplo e pediram silêncio.
Mas nada de o barulho cessar. Irritado, juntei-me ao coro dos que faziam "xiiiii". Nada. A esta altura, já tinha me desconcentrado do filme. Até que se ouviu um grito:
- Desliga, porra!
O cinema inteiro aprovou. Fiquei com inveja do homem. Pensei: "Por que eu não tive coragem de fazer o mesmo?".
Ainda estava me recriminando quando o ator atendeu o celular e o barulho cessou. O telefone fazia parte do filme.
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