Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Gilberto Gil e os ETs
E-mail que chegou fresquinho à caixa postal:
"Abaixo seguem algumas sugestões de pauta para vossa apreciação :
Ex-Soldado do Exército diz ter sido curado por Extraterrestres.
Ufóloga de 86 anos diz fazer contato com ET's junto a Gilberto Gil.
Sem mais,
Grupo Ufo-Gênesis
http://www.ufogenesis.com.br"
Quem acessa o site vê ainda o anúncio de um livro de um autor chamado André Mauro, com a chamada: "Saiba tudo sobre a maior farsa do século".
O nome do livro? "O homem não pisou na Lua".
Então tá.
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Vida longa
Recebo um e-mail simpático e generoso de uma ex-aluna, Tatiana Lima. Reproduzo a mensagem abaixo:
"Amigos,
Depois de muita resistência, resignação, encheção de saco, quebra de paradigmas e preconceitos...
Entrou no rede o meu blog, para a felicidade de alguns que amam esta ferramenta e insistiam que eu fizesse um.
Na realidade apesar de diversas conversas tentando me convencer das maravilhas de se ter um blog, minha resistência foi vencida, após ter conhecido um blog específico, o do meu ex-professor Mauro Ventura.
Portanto, quem quiser conferir é só entrar no www.conversanobanheiro.blogspot.com
Só não achem que é um best-seller, pq só estou começando, e na realidade, estou seguindo a dica dele, de exercitar a redação, escrevendo crônicas, ou pelo menos, tentando escrever nesse formato.
Pois, foi através da leitura divertida do blog dele o, www.dizventura.blogger.com.br, que aos poucos, bem aos poucos, me convenci que o blog pode ser uma ferramenta bem bacana.
Beijos enormes.
Tatiana Lima"
O que posso dizer diante de tanta delicadeza? Muito obrigado, Tatiana, e vida longa ao Conversa no Banheiro.
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Domingo, Janeiro 29, 2006
Afogado em travesseiros
Essa profissão de jornalista é mesmo muito curiosa. No sábado retrasado, eu estava na cadeia, junto a 200 presos. A visita me foi sugerida por um amigo. As celas são tão apertadas que os detentos são obrigados a criar trilíches.
No chão, amontoam-se vários bandidos. Como não há lugar para todos, eles são obrigados a improvisar panos como camas, criando um segundo andar. Mas ainda assim não cabe todo mundo e surge um terceiro andar de redes, quase na altura do teto.
Duas semanas depois, eu estava sozinho num quarto de hotel que era maior do que a cela da cadeia. Na cama, seis travesseiros. O Grand Hotel Intercontinental é um dos melhores de Paris, e é tão requintado que o café da manhã é tomado no Café de la Paix, um dos principais da cidade.
No andar em que fiquei, havia vários cinzeiros espalhados pelo corredor. Cada um era coberto com uma fina camada de areia, onde estava escrito à mão o nome do hotel e a cidade. A qualquer hora do dia, as inscrições estavam impecáveis, como se sempre houvesse alguém incumbido de remover as guimbas de cigarro e reescrever os nomes.
Éramos 105 jornalistas convidados para o festival de cinema francês promovido pela Unifrance. Dois do Brasil, cinco do Canadá, e o resto da Europa e do Japão. Meu amigo Pedro Butcher, hospedado em outro quarto, conta que a TV deu defeito. Ele ligou para a recepção e, antes mesmo de botar o telefone no gancho, ouviu: "Toc, toc, toc". Era como se houvesse um funcionário de prontidão na porta de cada quarto.
A TV de plasma do quarto tem acesso à internet e avisa quando há mensagem telefônica para o hóspede. O hotel foi construído para Napoleão III em 1862 e era um dos favoritos de gente como Churchill e Mata Hari.
Só tinha problemas mesmo na hora de tomar banho. Não conseguia abrir a tampa do ralo para esvaziar a banheira. Tentei usar as unhas. Quase as quebrei. A tampa de caneta era grossa, e não serviu. Finalmente, com o auxílio de um cortador de unha, e depois de numerosas tentativas, consegui abrir o ralo. Um dia, resolvi endireitar a torneira, que estava torta, e subitamente a tampa se abriu. Era assim que funcionava. Faltava um manual de instrução para a banheira.
Agora me explica: para que seis travesseiros?
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Terça-feira, Janeiro 17, 2006
Nas entrelinhas
O "Jornal do Brasil" de domingo trouxe uma impressionante reportagem com o jornalista Pimenta Neves, ex-diretor de redação de "O Estado de S. Paulo". Apesar de assassino confesso da ex-namorada Sandra Gomide, ele continua solto, quase seis anos após o crime.
São quase duas páginas de matéria, que fazem lembrar os bons tempos do "JB". O texto - intitulado "Assassino cultiva o ócio" - mostra como ele tem vivido uma boa vida, enquanto o pai de Sandra pena com a perda da filha e a impunidade. Fiquei animado - será que o jornal finalmente vai voltar a investir em reportagem? - mas, ao mesmo tempo, intrigado.
Até que, no fim, entendi a razão de tudo. Uma coordenada da matéria diz que a polícia investiga a participação de Pimenta na criação de um dossiê apócrifo. O dossiê, diz o "JB", contém falsificações contra o empresário Nelson Tanure, presidente do jornal, e teria servido de base para uma matéria que saiu em dezembro no "Estado de S. Paulo".
Ou seja: o esforço de reportagem que saiu no "JB" é uma vingança contra o "Estadão" e Pimenta Neves.
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Sexta-feira, Janeiro 13, 2006
Preju
Recebo um e-mail de alguém que não conheço, chamado Lancaster. Dizem-me que deve ser o músico, um dos melhores guitarristas de blues do país. Imediatamente me solidarizo com seu drama. Já aconteceu comigo e não é nada agradável. Aí vai a mensagem:
"Oi a todos! Na ultima quinta-feira, dia 5, tive meu carro roubado no Jardim Botanico, com meu equipamento dentro, estou pedindo a todos q conheco e ainda a alguns q n tive oportunidade de conhecer, se souberem de qq informacao sobre o equipamento listado abaixo, por favor me comuniquem, sei q nao preciso ser mais especifico quanto ao sentimento de ter seu equipamento pessoal roubado, agradeco desde ja a todos, um abraco, Lancaster.
- Baixo N.Zaganin 5 cordas modelo Blend cor brown sunburst
- Pedalboard boss com 7 pedais dentro
- Um tube screamer Ibanez (TS-9), 1 bassballs electroharmonix, 1 univibe stereo, 1 oitavador octabass ebs, 1 preamp Sadowisky, 1 afinador boss (TU-2) e 1 line selector boss (LS-2)."
Quem puder ajudar Lancaster, o e-mail é lancalp@gmail.com.
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
Que isso
Vários amigos meus estavam no expediente do jornal "Q!". Então, foi com muita tristeza que soube do fim do único vespertino do Rio. A direção esperava vender 60 mil exemplares por dia, mas o recorde foi 10 mil, quando saiu uma capa sobre as confusões de Maradona na cidade.
Um amigo - Marcus Veras - me envia um e-mail transcrevendo o editoral de encerramento do "Q!". Veras comenta, com muita propriedade, a respeito do editorial: "Nenhuma palavra sobre os jornalistas que ralaram loucamente no projeto, nenhum agradecimento aos profissionais que ali trabalharam. O texto só se preocupa com 'pesquisa, desenvolvimento, marca, imagem, investimento, ideal (???)'.Para a direção não se tratava de um jornal, mas de um produto. Jornalista era um mero detalhe."
Aí vai o editorial, assinado por Ariane Carvalho:
"Prezado leitor:
Depois de um ano concebendo, pesquisando, planejando e testando, finalmente lançamos o jornal 'Q!'. Foi uma atitude muito ousada, não só por ser um projeto inédito, mas também por sabermos que enfrentaríamos vários obstáculos mercadológicos.
Como todo produto sério que é lançado no mercado, o investimento em pesquisa & desenvolvimento é alto e contínuo nos primeiros meses de vida. A última pesquisa qualitativa, realizada com leitores do jornal em dezembro de 2005, apontou a necessidade de ajustes, mas também foi muito gratificante. Tivemos a oportunidade de saber que o 'Q!' era admirado e já havia conquistado em pouco tempo a imagem que desejávamos: a de um jornal inteligente e simpático, que lançou um novo jeito de informar.
No entanto, após a avaliação do investimento que seria necessário para a concretização de ajustes do produto, somado aos altos custos da operação, decidimos suspender temporariamente a circulação da versão impressa do veículo.
A partir de sexta-feira, dia 06 de janeiro de 2006, apenas o site www.qonline.com.br estará ativo. Nossa decisão busca, acima de tudo, preservar uma marca e um ideal que pertencem a todos nós. Gostaria de agradecer aos leitores que nos prestigiaram."
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Esmurrando o português
Recebo mensagem de um músico:
"Fala Pessoal!!!!!!
e' uma chatisse mais as vezes acontece.
a partir de fevereiro meu mail nao sera mais (...)
mudara para (...)"
Chatisse? Mais? Ainda bem que ele é tecladista e não letrista...
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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Waltinho
Acordei gordo, como diz o título daquele livro. Também, nesta época do ano é festa todo dia.
Só na sexta-feira terei que me desdobrar em três eventos: aniversário de uma amiga, jantar em homenagem a um jornalista francês e festa de encerramento de 2005 da Livraria da Travessa.
Ontem, felizmente, só teve uma. Um jantar na casa de Andrucha e Fernanda Torres para o ator espanhol Javier Bardem (de "Mar adentro", "Carne trêmula" e "Antes que anoiteça"). Acho que eu era o único anônimo no local. Olhava para um lado e via Walter Salles papeando com Rodrigo Santoro. Virava o rosto e lá estava Arnaldo Jabor e Lulu Santos. Ao lado, Fernanda Abreu, Preta Gil e Débora Bloch.
Preferi ficar perto de Waltinho Salles. Eu estava receoso, porque tinha publicado uma entrevista com Ruy Guerra, em que o cineasta dizia que havia um certo deslumbramento de Waltinho em filmar nos EUA. Mas o diretor de "Central do Brasil" é uma das pessoas mais doces e generosas que conheço, e não deu maior importância ao episódio.
Graças a Waltinho, não fui fazer cinema ou TV - e eis-me aqui, batucando essas teclas e ganhando a vida com a escrita. Há uns 20 e poucos anos, eu estava sem a menor idéia do que fazer na vida. Ele sugeriu: "Por que você não me acompanha na edição do Conexão internacional?". À época, ele dirigia o programa de entrevistas de Roberto D´Ávila. E assim, nós dois varávamos as madrugadas na congelante sala de edição da TV Manchete.
Descobri ali que o audiovisual não era minha praia - apesar de toda paciência e boa vontade de Waltinho em me ensinar os segredos e macetes da profissão.
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