DizVentura
 

 
Reflexões crônicas sobre literatura e jornalismo. Email: mventura@oglobo.com.br.
 
 
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Quarta-feira, Maio 31, 2006
 
Do além

Toca o telefone aqui na redação:

- Alô, eu gostaria de falar com o Zózimo? - diz uma voz feminina.

O repórter que atendeu chegou a pensar que fosse gozação. Afinal, o grande cronista social morreu em 1997. Respondeu de forma bem-humorada:

- Ele não está mais entre nós.

- Ah. Em que jornal ele está trabalhando agora?

Ele pensou em dizer que Zózimo tinha virado correspondente do "Notícias do Além", mas achou por bem ser direto.

- Desculpa, mas ele morreu.

- Ah, . Obrigado.

E desligou, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

A gente escuta cada uma nessa profissão...
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Quarta-feira, Maio 24, 2006
 
Oásis

Em meio a tantos e-mails maliciosos, interesseiros ou inúteis, recebo uma mensagem que me deixa feliz. O texto da Tatiana é generoso, e não resisto a reproduzi-lo abaixo:

"Daqui a alguns dias, meu blog vai estar fazendo aniversário de um ano de existência. Então achei que era o momento certo para reformular algumas coisas que venho sonhando há algum tempo.

Como alguns de você sabem, agora em junho estou terminando uma oficina de crônica no Estação das Letras e não dá para mentir: ela foi um divisor de águas na minha vida. Eu sempre paquerei a crônica, mas agora estou decidida a pedi-la em casamento! O Mauro nem sabe que é nosso padrinho mas é! (Mauro Ventura - o professor). Descobri no gênero a possibilidade de transformar meu caos interno em imagens escritas com leveza e poesia. Uma voz que surge forte, corajosa e que finalmente pode ser ouvida e traduzida!

A partir de hoje, estarei escrevendo para O QUE TORNA A VIDA INCRÍVEL diariamente. Compromisso é isso gente. Não tem como escapar . É um exercício diário de amor e comprometimento. Se é escrever o que eu quero, então que seja assim: um pouquinho, todos os dias!

A troca com vocês é muito, muito importante para mim. Apareçam, deixem um recado, vamos debater as maluquices!

Um beijo em cada um.

Obrigada pela força, sempre."

Sou suspeito para falar, mas a verdade é que vale a pena visitar o blog da Tatiana, O que torna a vida incrível.
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Terça-feira, Maio 16, 2006
 
Errata

A turma do Casseta & Planeta escreve há anos uma coluna de humor no Segundo Caderno. A coluna do Agamenon brinca com os assuntos da semana. Para deixar claro que é tudo gozação, há até a palavra "humor" escrita no alto da página.

Uma das seções mais divertidas é "A figuraça da semana". Eles sempre pegam alguém e ilustram com uma foto totalmente diferente. Assim, por exemplo, quando o personagem focalizado foi o Severino Cavalcanti a foto era de um jegue de pelúcia. Na vez do Roberto Jefferson, aparecia o Plácido Domingo. Neste último domingo, a figuraça era o Sílvio Pereira e a foto, do Sílvio Santos. Hoje chegou o seguinte e-mail à redação, intitulado "Errata":

"Estou lhe enviando este e-mail para solicitar que verifique a matéria sob o título 'Figuraça da semana', publicada no segundo caderno deste domingo 14/05. Trata-se de uma crítica sobre Silvio Pereira. Ocorre que a foto escolhida foi a de Silvio Santos e não do ex-assessor da presidência da república. Por este motivo solicitamos, que a editoria informe ao leitor sobre a Errata.
Obs: mesmo sendo na página de Agamenon, não verificamos nenhuma relação humorística entre os dois.
Forte abraço."

A mensagem vinha assinada pela gerente de comunicação do SBT. E falava sério.



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Sábado, Maio 13, 2006
 
Susto

No começo da carreira, trabalhei um ano na sucursal carioca da revista "Isto É". Desde então percebi que paulistas e cariocas escrevem de forma diferente. O material que enviávamos para São Paulo era sempre mudado - para pior, segundo nossa avaliação nada imparcial. Depois fui para o JB e para o GLOBO, onde os textos raramente são mexidos.

Há pouco, a revista "Cláudia" me chamou para escrever o perfil de Quitéria Chagas, rainha da bateria do Império Serrano. Fazia tempo que eu não escrevia para uma publicação paulista. Aceitei. Meu texto começava assim:

Quitéria Chagas sempre gostou de uma platéia. Quando era criança, a mulata-sensação do carnaval carioca adorava se exibir ao sair à rua com a mãe, Eliane. O sinal fechava, ela ia para frente dos carros e se anunciava: "Oi pessoas, olha pra eu, bate palma. Eu sou artista." E começava a dançar.

Ai de quem não aplaudisse. A menina apresentava-se maquiada e com sapato alto, meias finas, bolsa e bijuterias. Eliane cedo percebeu que sua filha única levava jeito para o showbizz. Quando Quitéria tinha cinco meses, a família foi a uma matinê de carnaval no Clube da Marinha. Vestida de Pedrita, estava quietinha na cadeirinha, até que ouviu o primeiro batuque e começou a se mexer, acompanhando a música. Juntou gente em volta para assistir.


Quando vi a revista pronta, tomei um susto com o que li. A reportagem tinha um novo começo:

Foi mesmo muito cedo que Eliane Chagas percebeu a queda da filha, Quitéria, pelo showbizz. Quando ela tinha apenas 5 meses, a família foi a uma matinê de carnaval. Vestida de Pedrita, na cadeirinha de bebê, ao som do primeiro batuque a menina começou a se mexer, acompanhando a música. Juntou gente para assistir.

Pois é. Além disso, surgiram ao longo da reportagem frases como "claro que ela se esforçou para chegar aonde está, mas o dom para empolgar platéias parece ser nato" e "Quitéria gosta do seu sucesso, mas não repousa tranqüila sobre ele. Está sempre ansiosa para fazer o melhor".

E, no fim, encerraram com a frase: "Era uma premonição".

Brega, não?
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Sexta-feira, Maio 12, 2006
 
Quer saber mesmo?

E-mail que chegou há pouco para meu chefe:

"Sou administradora de uma clínica de estética na barra da tijuca, gostaria de saber para onde devo mandar a assessora de imprensa entrar em contato com vocês.

Obrigada,
No aguardo".

Tem certeza de que quer que responda?
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Quinta-feira, Maio 11, 2006
 
Frase da semana

Não sei de quem é a frase, mas é boa: "Nunca pensei que fosse ficar feliz vendo um garotinho passar fome."
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Segunda-feira, Maio 08, 2006
 
Trios

Na churrascaria Porcão, ao fim do jantar, o garçom chega com as sobremesas. Entre elas, estão pirulitos de chocolate dos três porquinhos. Logo após os pedidos, alguém pergunta:

- Que se lembra dos nomes dos Três Porquinhos?

- Huguinho, Zezinho e Luisinho - apressa-se em dizer, seguro de si, um dos rapazes.

- Não, seu ignorante, esses são os sobrinhos do Pato Donald.

- Ah...

- Já sei: Toulouse, Berlioz e Maria - responde uma moça.

- Deixa de ser analfa. Caso você não tenha reparado, Maria é nome de mulher. Essas são as aristogatas.

- Ué, mas não são 101?

- Não, 101 são os dálmatas.

- Ah...

Até que alguém interrompe a discussão e diz, cheio de convicção:

- Lembrei: Baltazar, Belchior e Gaspar.

Fez-se silêncio na mesa. Alguns estavam reconhecendo aqueles nomes, mas uma voz tratou de voltar tudo à estaca zero:

- Deixa de ser herege. Esses são os Reis Magos!

Ninguém se lembrava dos nomes. Os doces chegaram, todo mundo ficou matutando, até que um dos amigos soltou a resposta correta: Heitor, Prático e Cícero. E assim o grupo pôde comer a sobremesa em paz.



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