DizVentura
 

 
Reflexões crônicas sobre literatura e jornalismo. Email: mventura@oglobo.com.br.
 
 
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Quinta-feira, Junho 29, 2006
 
A mocidade

Contei a uma amiga que estou indo no sábado para Belém do Pará, ser jurado do festival de cinema. No dia seguinte, ela me escreveu:

- Partiu??

E me falou de um show que ia ter ontem no Canecão. Respondi, como vocês devem imaginar, que ainda não tinha partido.

- Ainda não. Só viajo no sábado.

Levei uma senhora gozada. Ela, que é bem mais nova, me escreveu:

- Deixa eu te ensinar... Partiu, na linguagem mais jovem, significa: vamos?

Quer dizer então que agora "partiu?" virou "vamos?". É que nem aquela outra gíria: quando você está partindo de uma festa, diz: "Tô chegando".

Ah, a mocidade.
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Sexta-feira, Junho 16, 2006
 
É brincadeira

Não faço parte do Orkut, mas tenho vontade de entrar só para criar a comunidade "Eu odeio a ESPN".

Talvez ela já exista. Afinal, a emissora transmitiu todo o campeonato de basquete americano e agora, justamente nas finais da NBA, não está mostrando os jogos. É como se pusesse o doce na boca do espectador e o tirasse na hora da mordida.

Aliás, tem horas que a TV por assinatura no Brasil é uma piada. Como uma forma de faturar a mais, criaram o pay per view. Supostamente, deveria ser para exibir a nata, o que há de mais interessante e atual no mundo dos esportes.

Pois a emissora está anunciando para amanhã a exibição - paga, é claro - do campeonato de vale tudo UFC 60. Só que o torneio aconteceu no dia 27 de maio - há quase um mês, portanto - e todo mundo já sabe que o Royce Gracie levou uma coça do Matt Huges.
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Terça-feira, Junho 13, 2006
 
Ronaldo

O bom de trabalhar hoje, em pleno jogo do Brasil, é que o telefone silencia. Ao longo do dia, foram pouquíssimas ligações.

Até que há pouco tempo o telefone tocou. Um colega atendeu. Era um médico.

- Estou ligando para fazer uma observação. Sou endocrinologista e vendo a atuação do Ronaldo posso afirmar, com certeza, que ele está sofrendo de hipotiroidismo subclínico. Ou seja, não diagnosticado. Está acima do peso, sonolento e apático.

E não é que o presidente tinha razão?
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Segunda-feira, Junho 12, 2006
 
Sadismo

Tirado do noticiário do GLOBO do último sábado:

"Aspecto alarmante tomam os assaltos a mão armada, hoje um fato corriqueiro de nossa vida diária, nesta estranha capital. Os ladrões não se contentam mais em se apossar, pela força ou sorrateiramente, dos bens alheios. Uma espécie de onda de sadismo varre a cidade em todos os seus quadrantes.

Raro é o dia em que os jornais não assinalam crimes pavorosos de ladrões e malfeitores, criaturas frias e desalmadas que matam quando podem e não podem roubar. Para surripiar às vezes alguns níqueis em bolsos pobres, os criminosos abatem antes as suas vítimas.

O comércio de armas proibidas, tudo o indica, é bem vasto na cidade do Rio de Janeiro. Certas prisões espetaculares revelam, com luxo de detalhes, verdadeiros arsenais de que dispõem os criminosos. Armas de todos os feitios e marcas, e em profusão. De onde vem tanto armamento? Ninguém sabe. Mas são armas para o crime, para a emboscada, em mãos perigosas de vadios e desordeiros.

(...)

A impressão que se tem, pela repetição espantosa dos crimes, é que a polícia tem apenas por função verificá-los e classificá-los, depois de consumados, sem nenhuma ação preventiva contra eles. As próprias notícias publicadas nos jornais indicam qualquer coisa de incompreensível em relação aos crimes que se cometem quase diáriamente: ¿Conhecido desordeiro; conhecido criminoso; perverso com várias entradas na polícia etc. Se eram conhecidos dela, se a polícia não lhes ignorava os antecedentes, vigilância e cautela se impunham em torno deles.

Mas, como no caso da anedota, só depois do roubo é que a polícia fecha a porta. Todo o mundo reconhece que não é impossível haver um meio qualquer de evitar tanto crime. Talvez esteja na criação de uma polícia expressamente preventiva a chave dessa pavorosa questão."


Advinhem de onde foi tirado o texto? Da seção "Há 50 anos".

Exato. O texto acima foi publicado no dia 10 de junho de 1956. O jeito de escrever mudou - hoje em dia está menos empolado - mas a realidade descrita está atualíssima.
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Segunda-feira, Junho 05, 2006
 
Deu a louca no tradutor

Ligo a TV e a ESPN mostra um anúncio sobre um programa que seria exibido pelo canal. A propaganda traz o aviso, em letras garrafais: "Todo jogador é suspeito".

Só que o programa era sobre as superstições dos jogadores de pôquer. O canal queria mostrar que todo jogador é supersticioso.
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Sexta-feira, Junho 02, 2006
 
Assassino?

Ouço um colega dizer:

- Ela tem 50. Dá para matar aqui?

Antes que alguém pense que se trata de um assassino de mulheres de 50 anos, convém explicar: no jargão das redações, ele simplesmente perguntava ao diagramador se uma reportagem com 50 centímetros caberia naquele espaço da página.
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