Quinta-feira, Agosto 31, 2006
A gente sofre
Outro dia publicamos uma capa aqui no Segundo Caderno com João Emanuel Carneiro, autor da novela das 7, "Cobras & lagartos". Chegou uma carta. A leitora não falava sobre a acusação que ele sofreu de plagiar o roteiro do filme "Linha de passe", de Walter Salles.
Tampouco elogiou o fato de Carneiro ter posto atores negros em papéis principais ou ter levantado o ibope das 7. Não. A leitora escreveu por outro motivo:
"Gostaria de saber qual a marca e onde adquirir o tênis usado por João Emanuel Carneiro, na reportagem O salvador da pátria".
Depois vocês dizem que exagero quando falo que jornalista sofre.
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Sexta-feira, Agosto 25, 2006
Acredite se quiser
Notícia fresquinha recebida pela internet, sobre frase de pára-choque de betoneira:
"Omo Progress Total promove concurso inédito para os internautas de todo o País
Bote sua criatividade para funcionar e crie uma frase de pára-choque de Betoneira para o concurso do novo OMO Progress Total. Isso mesmo: Concurso de pára-choque de betoneira, uma promoção incrível com muitos prêmios e novidades. Para participar basta acessar http://www.omo.com.br/total/promocao/ e deixar a criatividade fluir.
As duas melhores frases da semana vão circular na Betoneira de OMO Progress Total e os vencedores podem ganhar kits exclusivos com o pen-drive Omo e o cachecol da Campanha do Agasalho. Os internautas podem participar quantas vezes quiserem. Serão doze premiados até outubro."
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Terça-feira, Agosto 22, 2006
Máfia dos corpos
Tirado do site "Correio do Brasil":
Denúncia divulgada nesta segunda-feira pela organização internacional de proteção à liberdade de imprensa Repórteres sem Fronteira (RSF), com sede em Paris, mostra o drama vivido pela jornalista Maria Mazzei, que denunciou a existência de uma máfia que rouba e vende corpos humanos.
Leia a denúncia:
"Repórteres sem Fronteiras está consternada com as ameaças de que vêm sendo vítimas, desde 15 de agosto, a jornalista do Dia, Maria Mazzei, e sua família. Essas intimidações ocorreram após a publicação de reportagens sobre o tráfico de corpos humanos no Rio. Os artigos afirmavam que funcionários do Instituto Médico-Legal (IML) vendiam cadáveres à máfia dos corpos.
Estamos profundamente inquietos com esses atos reiterados de violência contra jornalistas brasileiros que realizam inquéritos sobre casos 'delicados' e, mais particularmente, depois que Maria Mazzei foi obrigada a esconder-se em virtude de ameaças. Pedimos que as autoridades locais e federais identifiquem o quanto antes os autores dessas intimidações. Urge que o Estado reaja frente ao aumento da violência, para que a profissão de jornalista possa ser exercida livremente e sem temor. Lembramos que esse caso está acontecendo 48 horas depois do fim do seqüestro, em São Paulo, do jornalista da TV Globo Guilherme Portanova e do técnico Alexandre Coelho.
Maria Mazzei escreveu várias reportagens sobre a máfia dos corpos, revelando roubos de cadáveres utilizados em golpes contra seguradoras. Em 12 de agosto, Maria tinha entrevistado um antigo oficial da Marinha Mercante, Yussef Georges Sarkis, de 52 anos, acusado de ter simulado a própria morte para receber cerca de R$ 1 milhão do seguro de vida. A entrevista foi gravada e nela Yussef chegou até a declarar que, entre seus amigos, havia seqüestradores e policiais.
Após a publicação dos artigos, a jornalista começou a receber ameaças por telefone, e os vizinhos declararam ter visto, por várias vezes, um automóvel suspeito passar por seu domicílio. O Dia comunicou o fato às autoridades policiais e transferiu a jornalista e sua família, escoltadas pela polícia, para um lugar seguro.
Na segunda-feira dia 15 de agosto, o jornal enviou carta ao Secretário de Segurança, Roberto Precioso: 'O jornal tomou todas as medidas ao seu alcance, mas questões de segurança competem direta e definitivamente ao Estado, e cabe a ele, agora, garantir a proteção constante de Maria Mazzei e sua família, até que os criminosos envolvidos nesse caso sejam presos e entregues à Justiça'. Roberto Precioso considerou as ameaças como inaceitáveis e afirmou que a polícia identificaria os responsáveis.
Entre as pessoas implicadas no caso, haveria funcionários do IML, agentes funerários e especialistas em golpes contra seguradoras".
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Quarta-feira, Agosto 16, 2006
500
A discussão está pegando fogo no meu outro blog, o No Front do Rio. Fui publicar uma mensagem que recebi do Fred D'Orey, dono da Totem, contando o assalto que sofreu, e a resposta solidária do ator Fábio Assunção, e já recebi 500 mensagens. Isso mesmo, 500.
As duas notas funcionaram como uma espécie de catarse, onde os leitores estão manifestando sua indignação com a violência, a corrupção, os impostos, os governantes, e por aí vai.
Claro que tem de tudo: tem gente que acha que fui eu que escreveu os depoimentos, tem gente que viaja nas críticas, mas tem muita gente boa se manifestando.
Já recebi mensagens de outros atores sobre o tema, quando tiver tempo vou pôr no ar.
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Segunda-feira, Agosto 14, 2006
Sucinta
Tem leitor que acha que a gente é mágico. Olha só o e-mail que meu chefe recebeu:
"Bom dia, estou precisando muito de uma matéria que saiu não tenho certeza da data mas é entre dia 17/7/2006 a 19/7/2006. Não estou conseguindo, agradeço desde já pela atenção."
Não quer mais nada, não?
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Sábado, Agosto 05, 2006
Mico
Na última quinta-feira, fui assistir à estréia do festejado espetáculo "Avenida Dropsie", de Felipe Hirsch. A peça é uma experiência visual e auditiva riquíssima, e coroou uma semana de intensas vivências estéticas que contou ainda com o show de Marisa Monte, o filme "Elsa e Fred" e o balé "Dínamo", de Deborah Colker.
A estréia foi badaladíssima, e vai ser difícil aparecer algum espetáculo mais impactante este ano. Mas o superlotado espaço Caixa Cultural, no Centro da cidade, teve que esperar meia hora até começar a peça. Ninguém soube ao certo o porquê de tanta demora, mas aqui vai em primeira mão a explicação.
As centenas de pessoas tiveram que esperar porque um espectador não conseguia achar de jeito nenhum lugar para estacionar. Procurou o estacionamento da Caixa Cultural, mas não achou. Tentou ao lado do teatro, mas um guarda não permitiu. Experimentou o parqueamento da igreja ao lado, mas fechava cedo. Até que parou de qualquer jeito, ao lado de mendigos, de bêbados e da fauna noturna do Centro da cidade.
O espectador? Eu. Mas não espalhem.
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Quinta-feira, Agosto 03, 2006
Entrevistas com a redação?
Recebo um e-mail da Editora Globo:
"Boa tarde!
Confira abaixo as matérias de destaque desse mês nas revistas femininas da Editora Globo: Marie Claire, Casa e Jardim, Crescer, Quem e Criativa. Se houver interesse em utilizar a revista como pauta, estamos abertos ao agendamento de entrevistas com a redação, que podem ser feitas por telefone - ao vivo ou gravadas. Basta entrar em contato para disponibilizarmos reportagens ou fotos para divulgação.
Um abraço!"
Não vou nem comentar o "disponibilizarmos". Mas deixa eu ver se entendi: eles estão oferecendo os jornalistas das revistas para dar entrevista? Uma das primeiras lições que todos nós aprendemos quando entramos no jornalismo é: jornalista não é notícia. E agora querem oferecer os repórteres que fizeram reportagens nas revistas para dar entrevistas? Fala sério.
Para quem ficou curioso em saber os destaques das revistas, aí vai uma amostra:
- Marie Claire: Descobrimos porque eles não ligam de novo depois do primeiro encontro com uma mulher. 20 homens confessaram tudo o que elas fazem e que os afastam rapidinho.
- Criativa: Nos inspiramos em seis celebridades cheias de estilo e seus incríveis guarda-roupas para criar looks de sucesso.
- Quem: Em entrevista reveladora, Déborah Secco afirma estar mais sossegada e mais tranqüila e conta como foi árdua a tarefa de conquistar o vocalista Falcão, da banda O Rappa.
- Casa e Jardim: Está com vontade de expressar suas idéias e seus sentimentos pela casa? Letras, palavras, frases e poemas estão em alta na decoração e emprestam charme e personalidade a paredes e objetos.
- Crescer: A série Bebês do Brasil traz o pequeno Emerson, de apenas um ano. Ele vive próximo a iguanas, jacarés e carangueijos, no Delta do Parnaíba, e é chamado de Gonguinho, apelido carinhoso dado às crianças fofinhas da região.
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