DizVentura
 

 
Reflexões crônicas sobre literatura e jornalismo. Email: mventura@oglobo.com.br.
 
 
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Quarta-feira, Setembro 27, 2006
 
Escambo de votos

Ela não tinha candidato a deputado federal. Eu não tinha candidato a deputado estadual. Trocamos.

Ela vai votar no meu candidato a federal, Luiz Eduardo Soares, do PPS (2303), e eu vou votar no candidato dela a estadual, Marcelo Freixo, do PSOL (50123).

Já conhecia Freixo, que é da ONG Justiça Global e consultor do Chico Alencar na área de Direitos Humanos. Portanto, vai ser uma boa dobradinha para nós dois.

A quem não tem candidato, sugiro o escambo de votos.
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Segunda-feira, Setembro 25, 2006
 
Umas peças

Ontem fui ver uma dessas comédias ligeiras que infestam os palcos cariocas. Tenho certa resistência a elas, mas minha irmã me convidou - e convite de irmã não se nega.

Já imaginava a cena. Todo mundo rindo às gargalhadas, e eu ali, incapaz de entender o fenômeno. Nada disso: adorei a peça, que se chama "Curtas". No cartaz, está escrito: "Com Samantha Schnutz e grande elenco". Trata-se, na verdade, de uma brincadeira. Samantha vive sozinha os cinco personagens. Na saída, tem gente que se confunde e diz: "Eu adorei aquele menino que faz o surfista."

Gostei tanto que emendei duas peças seguidas - mais do que alguns amigos meus viram na vida toda. Logo após "Curtas" vi "Nós na fita", com Leandro Hassum e Marcius Melhem. Jamais tinha ouvido falar em Samantha, Leandro ou Marcius, mas nunca ri tanto na minha vida.

"Nós na fita" tem tudo o que se espera de uma peça assim - trocadilhos infames, apelações - mas o espetáculo, formado por esquetes, também tem ótimas performances dos dois atores, boas sacadas, inteligentes observações sobre o cotidiano e um humor irresistível. Perdi todo o preconceito com o gênero.
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Terça-feira, Setembro 12, 2006
 
Político honesto?

Acho que essa história que recebi de uma amiga é velha, mas que é engraçada, é:

1. Vá para o Google (www.google.com.br)

2. Digite: político honesto

3. Selecione "páginas em português"

4. Clique em "Estou com sorte", e não em "Pesquisa Google"

5. Veja o resultado (leia com atenção!)
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Segunda-feira, Setembro 11, 2006
 
Os bastidores da Independência

Entrevistei dia desses a historiadora Isabel Lustosa, que lançou uma biografia de Dom Pedro I. A reportagem, que pode ser lida aqui, saiu no Segundo Caderno no dia 7 de Setembro. Após a conversa e a leitura do livro, constatei o óbvio: o quanto somos ignorantes a respeito de nossa própria história, seja assuntos triviais ou temas mais aprofundados.

Algumas curiosidades sobre o personagem mais fascinante da História do país, tirados do livro e da conversa:

- D. Pedro I chamava-se Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Serafim de Bragança e Bourbon.

- O imperador tinha epilepsia. Durante toda sua vida, ele, como quase todos os seus irmãos, teve crises. Uma delas menos de um mês depois da chegada de Dona Leopoldina. A futura mulher, que não tinha sido avisada da doença e estava sozinha, ficou muito assustada.

- Custou caro ao Brasil ter a Independência reconhecida. Pelo acordo, o país assinou uma cláusula secreta em que pagou à Inglaterra 1,4 milhão de libras esterlinas. O dinheiro saldava as dívidas de Portugal com os ingleses. O detalhe é que os portugueses pegaram o empréstimo com os ingleses justamente para se armar e atacar o Brasil.

- Podíamos estar hoje comemorando a Independência em outro dia. Havia várias opções. O 9 de janeiro, que é o dia do Fico. O 3 de maio, quando é instalada a Assembléia Constituinte. O 14 de setembro, quando D. Pedro I chega ao Rio e é aclamado. O 12 de outubro, seu aniversário, em que é aclamado imperador. Só em 1823 - um ano depois - é que, possivelmente por decisão do imperador, o 7 de setembro é sacramentado como a data da Independência.

- D. Pedro não tinha perfil de governante, mas era um ótimo guerreiro. Em 1832, atacou Portugal e o irmão Miguel numa guerra que duraria dois anos e arruinaria sua saúde. Seu exército contava com sete mil homens e um punhado de navios velhos. O do irmão, que tinha apoio popular, somava 80 mil homens e uma frota moderna. Mesmo assim, venceu. Mas, ao fim da guerra, estava acabado. Morreu aos 36 anos.

- O imperador era uma figura complexa: corrupto, malcriado, mulherengo, farrista, briguento, fanfarrão, arrogante, despótico, mas ao mesmo tempo alegre, galhofeiro, ligado ao povo e contra a escravidão. Fez a Independência e deu ao país sua primeira Constituição, que vigorou por mais de 60 anos. Tinha enorme apetite sexual, era péssimo e cruel marido, e não havia mulher a quem não lançasse um olhar de avaliador, mas adorava os filhos, legítimos ou ilegítimos.

- O governo alemão via na emigração para o Brasil uma oportunidade de se livrar de seus vagabundos e criminosos. Em troca do reconhecimento da Independência, o grão-ducado de Mecklemburg envou para cá uma leva de presidiários e delinqüentes.
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Terça-feira, Setembro 05, 2006
 
Perigo à vista

Notícia tirada do Portal Imprensa, escrita por Pedro Vesceslau:

"Decisão inédita: blog é condenado por comentário de leitor

O leitor partiu para a ignorância, mas quem pagou a conta foi o jornalista. Em decisão inédita na justiça brasileira, o blog Imprensa Marrom, especializado em críticas à imprensa, foi condenado em primeira instância a pagar R$ 3.500 por danos morais a João Pedro Boria Caiado de Castro, que se sentiu ofendido por mensagens postadas na seção de comentários do site. A ação se arrasta na justiça desde 2004.

O blog Imprensa Marrom existe desde 2001 e foi fundado pelo jornalista Fernando Gouveia, que recorreu da decisão. A responsável pela sentença foi a juíza Ana Paula Theodosio de Carvalho, de São José dos Campos. Eis o argumento da juíza: 'Ao disponibilizar espaço para a divulgação democrática do conteúdo inserido por terceiros, (o editor) assume o risco sobre expressões ofensivas veiculadas'."
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