Terça-feira, Janeiro 30, 2007
Jornalismo e literatura
Fui ver a palestra do escritor Carlos Heitor Cony sobre as diferenças entre jornalismo e literatura. Cony falou na Casa do Saber, que promove cursos num magnífico prédio na Lagoa.
Jornalista e escritor, Cony falou de como a chegada da máquina de escrever aposentou toda uma geração - a de seu pai, também jornalista.
- Antes, era a lápis. Quem não se adaptou, dançou. Meu pai conseguia catar milho na máquina, mas parava de pensar quando fazia isso.
Cony, ao contrário do pai, não sofreu com a mudança seguinte, da máquina de escrever para o computador.
- Não me verguei à passagem para o computador. Eu já estava nauseado de 30 e tantos anos de máquina. Tanto que interrompi um jejum de 23 anos sem lançar livros.
Entre as várias histórias curiosas que contou, ele disse que tinha em seu escritório duas máquinas: uma para escrever reportagens e outra, para os livros.
Cony fez várias considerações a respeito das diferenças entre jornalismo e literatura. Algumas delas:
- Nenhum jornal desceu às profundezas da alma humana, aos subterrâneos, como Dostoiévski, Machado.
- Jornal é horizontal e a literatura, vertical. O jornal diz a hora em que a pessoa morreu, mas a literatura diz quem era aquela mulher, o que pensou na hora de morrer.
- A literatura é como um carro particular. Pode ser Fusca ou Rolls Royce. Você vai para onde quer, desliga, trata bem ou mal, deixa na garagem. Já o jornalismo é como um ônibus. O motorista tem que parar nos pontos, é servo do ônibus, não leva para onde quer. Os dois obedecem às regras gerais do tráfego, mas o jornalismo ainda tem que obedecer a outras regras.
- Kakfa compara jornal a trem, que sai de uma plataforma a outra, obedece horário. Jornal sai da oficina para o consumidor, com horário. Mas o trem pode ir vazio, o jornal não.
- A sociedade se conhece muito mais através da literatura que do jornalismo.
Cony lembrou dos tempos em que ajudou JK a escrever sua biografia.
- Ele inventou coisa pra burro. E o que ele não inventou eu inventei - disse, em tom de brincadeira.
O escritor contou que já sabia desde cedo seu ofício.
- Eu devia ter uns oito ou nove anos quando escrevi um texto. Chamava-se "Testamento de um defunto".
Sobre a diferença entre o jornalista e o escritor, ele lembrou do caso do amigo Luís Edgar de Andrade. Edgar, também jornalista e escritor, terminou uma obra que no fim falava de uma imagem que ficava à direita do altar, num país distante. Mas bateu a dúvida se era mesmo à direita ou à esquerda. O rigor jornalístico falou mais alto e ele vendeu 30 dias de férias, comprou uma passagem e foi conferir. Era mesmo à direita.
- Eu botaria no centro - disse Cony, diante dos risos da platéia.
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2:01 PM
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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
Sem PAC
O novo layout do blog, mais moderno e arejado, não tem nada a ver com o PAC, o Programa de Aceleração de Crescimento do Lula. Não fui nem serei contemplado com nenhuma verba do governo para investimento no DizVentura.
Quem me ajudou, como de costume, foi a Elis. Quem sabe agora eu não tomo vergonha na cara e passe a escrever mais - promessa tantas vezes feita e poucas vezes cumprida.
posted by MAURO VENTURA |
5:15 PM
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
De frente ou de costas
Meu colega Joaquim Ferreira dos Santos me pergunta se tomo banho de costas ou de frente. Respondo que de costas para o chuveiro. Ele não parece contente com a resposta.
Faz a mesma pergunta a uma amiga nossa. Ela diz que toma banho de lado. Ele também não parece feliz com o que ela diz. É que nossas respostas vão de encontro ao que ele apurou. Segundo o Data Joaquim, os homens tomam banho de costas e as mulheres, de frente.
Não sei o que ele pretende fazer com a pesquisa, mas ficamos especulando o porquê de homens e mulheres se posicionarem de forma diferente diante do chuveiro - se é que isso acontece. Uma moça disse que devia ter a ver com os cabelos - de costas, facilita a lavagem. Um colega mais libidinoso falou que era por causa da masturbação - de frente, dá para apoiar a cabeça na parede.
Ou seja, deu para vocês perceberem que não chegamos a lugar nenhum.
posted by MAURO VENTURA |
1:36 PM
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